...mas quase dois meses ouvindo você cantar t-o-d-o dia "tchira tchurou, tchira tchurou, rouá rouaááááá..." simplesmente não dá, amica!
Tento não endoidar e sair jogando clips nas cabeças alheias, porque eu gosto de democracia, e fico muito mal quando nem todos tem a sua chance de expor suas ideias, preferências. Acho profundamente feio da minha parte, mas... Saudades de quando meu trampo era uma ditadura. Tocava-se rock ou rock, e toda manifestação contrária era sumariamente abafada, calada.
Ruim isso, muito ruim, eu sei. Mas o negócio tá feio, e o "É o tchan" na selva, no Japão, nas arábias, na PQP também está sendo degustado. **Suspiros**
Enfim. Crise musical no trabalho, mode on.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
"Panis et circenses" - pão e circo
Pensando na vida.
Esperando que no final eu não veja que minhas preocupações foram restritas apenas em nascer e morrer.
*
Marisa Monte, cantando Panis et circenses, música de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Com sua voz fantástica, com seu vestido azul, óculos escuros e botas, Marisa, você pode tudo! Seu visual me encanta, seja em 1995 ou hoje. Essa música também me faz lembrar das do Raul, sobre a opinião formada sobre tudo, ou de estar sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar enquanto se esforça pra ser um sujeito normal.
Ser tudo aquilo que a sociedade espera. Todo preconceito que existe se baseia no que a sociedade não espera de nós. Resumidamente, você tem que ser um cidadão de bem.
Vocês, assim como eu, já ouviram muito este termo por aí? É típico de pessoas do sexo masculino, héteros e brancas. Ah, e dentro da classe média também.
Status quo, sacam? Não são só essas pessoas que dizem isso, claro, mas a maioria é sim. E o que elas realmente querem dizer é: "Ei, tire as mãos do meu privilégio! Eu sou um cidadão de bem e mereço tudo isso!"
Dizem isso frente tudo aquilo que é diferente deles. Tudo aquilo que não são eles. Como se assim, eles pudessem "apagar" aquilo que não concordam, não aceitam. Agem como se não fosse problema deles também.
Mas como eu já disse em outro post, sou sempre eu, é sempre comigo.
Esperando que no final eu não veja que minhas preocupações foram restritas apenas em nascer e morrer.
*
Marisa Monte, cantando Panis et circenses, música de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Com sua voz fantástica, com seu vestido azul, óculos escuros e botas, Marisa, você pode tudo! Seu visual me encanta, seja em 1995 ou hoje. Essa música também me faz lembrar das do Raul, sobre a opinião formada sobre tudo, ou de estar sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar enquanto se esforça pra ser um sujeito normal.
Ser tudo aquilo que a sociedade espera. Todo preconceito que existe se baseia no que a sociedade não espera de nós. Resumidamente, você tem que ser um cidadão de bem.
Vocês, assim como eu, já ouviram muito este termo por aí? É típico de pessoas do sexo masculino, héteros e brancas. Ah, e dentro da classe média também.
Status quo, sacam? Não são só essas pessoas que dizem isso, claro, mas a maioria é sim. E o que elas realmente querem dizer é: "Ei, tire as mãos do meu privilégio! Eu sou um cidadão de bem e mereço tudo isso!"
Dizem isso frente tudo aquilo que é diferente deles. Tudo aquilo que não são eles. Como se assim, eles pudessem "apagar" aquilo que não concordam, não aceitam. Agem como se não fosse problema deles também.
Mas como eu já disse em outro post, sou sempre eu, é sempre comigo.
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domingo, 21 de novembro de 2010
Na tv.
Ontem eu tava vendo na tv um programa daqueles ditos "femininos", seja lá o que isso queira dizer, e haviam três mulheres mais a apresentadora discutindo sobre iniciativa nos relacionamentos. Deveria o homem ou a mulher tomar a dianteira em relação a isso? Alguma dúvida de qual era a opinião delas?
O pior é que esses programas são iguais a uma nova plástica da Angela Bismarchi, é horrível, mas você tem que continuar vendo. Tentei achar na net o nome do programa e da apresentadora, mas o combo "apresentadora+televisão+loira", localizou vários exemplares, menos a que eu queria. Talvez se eu tivesse tentado "apresentadora+televisão+loira+asneirices". Ahh... Deixa pra lá.
Continuando, apenas uma das debatedoras disse ser a favor da mulher abordar o homem, e tinha lá uma história pra contar em que ela fez isso. Mas claro, frisando que só o fez porque o rapaz não tomava a frente nunca, coisa de um ano (que ela não é nenhuma desfrutável, lógico). As outras riam enquanto esta moça relatava seu caso, e eu ainda não entendi o porquê.
Seria essa moça uma transgressora, e a situação ridícula e algo a ser evitado a todo custo, e a simples menção do ato faz as outras mulheres (as lúcidas que nunca fariam isso) rirem muito? Ah, e riram mais ao saber que a moça virou apenas amiga do cara. Essa parte eu já achei perversa mesmo.
A querida apresentadora ainda disse que mulheres são princesas (sooono), e que na história da Cinderela (sim, ela faz paralelo com os contos de fadas) quem fica esperando pacientemente o príncipe aparecer é ela, não o contrário.
Princesas não salvam seus homi, nããão, nunca. É ele, o macho da espécie que vai ao seu encontro, levando uma prenda, um sapatinho de cristal. E completou que a mulher quer ser conquistada, e ela tem como fazê-lo. (piscadinha marota)
Gente, porque que elas não falam com todas as letras, "Está claro que nós, mulheres, só temos valor por uma coisa: nossa vaginas! É óbvio que este é o único atrativo que temos, portanto, mantenham-se castas, puras, façam "doce", um charminho, pois a partir do momento em que você tomar as rédeas e perguntar na lata "E aí, tem jeito?", estará condenada a arder no mármore do inferno! E solteirona!! (o horror, o horror)
Pois a característica mais valorizada ao lado da castidade é a submissão. Quem não sabe disso? Se não agir assim, nada mais fará você agarrar seu homem, o seu príncipe encantado. Game over pra você, fia!"
Porque é isso que elas pensam, e eu sei que seria bem mais legal se elas falassem exatamente isto. Chega de criar metáforas com cavalos brancos, sapatinhos de cristal e use bem suas armas. Sejam mais sacanas, pô!
Mas sério, tem muita gente que pensa assim ainda? Devo dizer que tenho MUITO medo da resposta.
Feminismo deve ser palavrão pra essas pessoas e feminista a própria besta do apocalipse.
O pior é que esses programas são iguais a uma nova plástica da Angela Bismarchi, é horrível, mas você tem que continuar vendo. Tentei achar na net o nome do programa e da apresentadora, mas o combo "apresentadora+televisão+loira", localizou vários exemplares, menos a que eu queria. Talvez se eu tivesse tentado "apresentadora+televisão+loira+asneirices". Ahh... Deixa pra lá.
Continuando, apenas uma das debatedoras disse ser a favor da mulher abordar o homem, e tinha lá uma história pra contar em que ela fez isso. Mas claro, frisando que só o fez porque o rapaz não tomava a frente nunca, coisa de um ano (que ela não é nenhuma desfrutável, lógico). As outras riam enquanto esta moça relatava seu caso, e eu ainda não entendi o porquê.
Seria essa moça uma transgressora, e a situação ridícula e algo a ser evitado a todo custo, e a simples menção do ato faz as outras mulheres (as lúcidas que nunca fariam isso) rirem muito? Ah, e riram mais ao saber que a moça virou apenas amiga do cara. Essa parte eu já achei perversa mesmo.
A querida apresentadora ainda disse que mulheres são princesas (sooono), e que na história da Cinderela (sim, ela faz paralelo com os contos de fadas) quem fica esperando pacientemente o príncipe aparecer é ela, não o contrário.
Princesas não salvam seus homi, nããão, nunca. É ele, o macho da espécie que vai ao seu encontro, levando uma prenda, um sapatinho de cristal. E completou que a mulher quer ser conquistada, e ela tem como fazê-lo. (piscadinha marota)
Gente, porque que elas não falam com todas as letras, "Está claro que nós, mulheres, só temos valor por uma coisa: nossa vaginas! É óbvio que este é o único atrativo que temos, portanto, mantenham-se castas, puras, façam "doce", um charminho, pois a partir do momento em que você tomar as rédeas e perguntar na lata "E aí, tem jeito?", estará condenada a arder no mármore do inferno! E solteirona!! (o horror, o horror)
Pois a característica mais valorizada ao lado da castidade é a submissão. Quem não sabe disso? Se não agir assim, nada mais fará você agarrar seu homem, o seu príncipe encantado. Game over pra você, fia!"
Porque é isso que elas pensam, e eu sei que seria bem mais legal se elas falassem exatamente isto. Chega de criar metáforas com cavalos brancos, sapatinhos de cristal e use bem suas armas. Sejam mais sacanas, pô!
Mas sério, tem muita gente que pensa assim ainda? Devo dizer que tenho MUITO medo da resposta.
Feminismo deve ser palavrão pra essas pessoas e feminista a própria besta do apocalipse.
sábado, 20 de novembro de 2010
Sobre uma blogueira maravilhosa.
Dia desses escrevi no meu outro blog (hoho, como tenho tempo e o que escrever, né mesmo?) que eu amo a Internet, por causa das coisas que ela me faz conhecer.
Não fosse a net, como eu teria contato com os ótimos textos de uma blogueira chamada Daniela, baiana, negra, feminista, e várias outras coisas maravilhosamente bem exploradas em seu blog, Histórias de Menina?
Entrei em contato com ela para poder utilizar um dos seus posts no Sarau da Consciência Negra, e ela muito gentilmente autorizou e pediu para que eu contasse depois como foi a receptividade. Infelizmente, a falta de planejamento fez nossa participação (cia Porta-Treco) dançar, mas obviamente pretendo usar o texto de Daniela no Sarau Feminista.
Gente que gosta de ler coisa boa, de pessoas que tem o que dizer, visitem o blog desta linda menina!
E aqui o post que eu levarei ao Sarau: Menina vai pra guerra.
Mas vejam o site todo, vale super a pena!
Não fosse a net, como eu teria contato com os ótimos textos de uma blogueira chamada Daniela, baiana, negra, feminista, e várias outras coisas maravilhosamente bem exploradas em seu blog, Histórias de Menina?
Entrei em contato com ela para poder utilizar um dos seus posts no Sarau da Consciência Negra, e ela muito gentilmente autorizou e pediu para que eu contasse depois como foi a receptividade. Infelizmente, a falta de planejamento fez nossa participação (cia Porta-Treco) dançar, mas obviamente pretendo usar o texto de Daniela no Sarau Feminista.
Gente que gosta de ler coisa boa, de pessoas que tem o que dizer, visitem o blog desta linda menina!
E aqui o post que eu levarei ao Sarau: Menina vai pra guerra.
Mas vejam o site todo, vale super a pena!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Notas aleatórias.
Eu vejo que as pessoas ainda não sabem o porquê da existência de algumas datas, como por exemplo, o dia da Consciência Negra. É só caramba, que legal, é feriado! E tem o lance do menosprezo, do ***e negro por acaso tem consciência?***, ou é o dia dos negros, etc. Da mesma forma que mulheres recebem rosas no dia internacional da mulher e parabéns.
*
Tô com certa preguiça de falar sobre com as pessoas. Muita preguiça.
*
Status quo é uma expressão em latim, significa estado em que se encontra algo. Querer mudar o status quo da sociedade atual implica a quebra do poder/supremacia dado a um certo grupo, representado pelo homem branco e hétero, e tirar as minorias dos estados de opressão/submissão, ou seja, qualquer grupo que não apresente as características citadas anteriormente. Mutcho bom ler sobre o assunto.
*
Nós mulheres somos treinadas para sermos emocionais, sensíveis, carentes e outras características que lidam de alguma forma com a parte sentimental que qualquer ser humano tem, homem ou mulher. Mas a coisa é tão repetida pra gente que se acredita que são características biológicas, inseparáveis e quem não tem não é normal. Toda essa meiguice e carência leva a relacionamentos bem toscos, apego, frustrações, baixa autoestima, e casos em que nós, mulheres, princesas delicadas (hoho) e "biologicamente" seres que pensam com o coração, não com a razão, nos envolvemos com caras que cagam em nossas cabeças. Isso é horrível, mas é verdade.
Vamos estudar bastante, conquistar um trabalho bacana, andar esse mundo, dar risada e deixar de lado essas muletas sentimentais. Todo mundo tem a possibilidade de se apaixonar, de casar, de ser sentimental, ou não. Ter a possibilidade não é ter a obrigatoriedade.
Vamos dizer um grande e sonoro desculpaê, mas eu não sou o que você espera de mim.
update: pra quem começa a ler sobre os assuntos, feminismo, racismo, etc, vai ver muito este termo, status quo. Todas as blogueiras que eu leio falam sobre ele.
*
Tô com certa preguiça de falar sobre com as pessoas. Muita preguiça.
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Status quo é uma expressão em latim, significa estado em que se encontra algo. Querer mudar o status quo da sociedade atual implica a quebra do poder/supremacia dado a um certo grupo, representado pelo homem branco e hétero, e tirar as minorias dos estados de opressão/submissão, ou seja, qualquer grupo que não apresente as características citadas anteriormente. Mutcho bom ler sobre o assunto.
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Nós mulheres somos treinadas para sermos emocionais, sensíveis, carentes e outras características que lidam de alguma forma com a parte sentimental que qualquer ser humano tem, homem ou mulher. Mas a coisa é tão repetida pra gente que se acredita que são características biológicas, inseparáveis e quem não tem não é normal. Toda essa meiguice e carência leva a relacionamentos bem toscos, apego, frustrações, baixa autoestima, e casos em que nós, mulheres, princesas delicadas (hoho) e "biologicamente" seres que pensam com o coração, não com a razão, nos envolvemos com caras que cagam em nossas cabeças. Isso é horrível, mas é verdade.
Vamos estudar bastante, conquistar um trabalho bacana, andar esse mundo, dar risada e deixar de lado essas muletas sentimentais. Todo mundo tem a possibilidade de se apaixonar, de casar, de ser sentimental, ou não. Ter a possibilidade não é ter a obrigatoriedade.
Vamos dizer um grande e sonoro desculpaê, mas eu não sou o que você espera de mim.
update: pra quem começa a ler sobre os assuntos, feminismo, racismo, etc, vai ver muito este termo, status quo. Todas as blogueiras que eu leio falam sobre ele.
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terça-feira, 16 de novembro de 2010
Tô meio intolerante.
Levei minha contribuição à exposição até o trabalho, pra de lá levá-la até a Biblioteca de Palmeiras, e por causa do formato curioso do pacote algumas pessoas perguntaram do que se tratava. Uma delas, após minha resposta de que se tratava de uma exposição sobre a consciência negra disse: "e negro por acaso tem consciência?"
Eu fiquei com vontade de mandar essa pessoa tomar... Um copo d'água.
Claro que se eu falasse o que passou pela minha cabeça, ou se desse a dica pra ele enfiar a cabeça na privada e dar uma loooonga descarga, eu seria *A* louca, desequilibrada, sem senso de humor, chata, bruta, e que não sabe rir de uma piadinha sem maldade.
Fico possessa de saber que a maioria das pessoas pensam assim. Que acham que uma piada, um comentário qualquer, como o desse cara, assim dito solto, é só isso, uma piadinha sem maiores consequências.
Racistas? Não meu amor, essas pessoas só tem humor e simpatia saindo pelos poros!
Queridinho, isso que você disse/pensa NÃO É apenas um comentário solto, sem maldade, sem consequência!
Eu só disse na hora: "Risômetro na tela", que é o que eu sempre digo ao ouvir coisas de mau gosto que se acham **engraçadinhas**. Sabe o quadro do Faustão em que comediantes fazem suas esquetes e um termômetro "mede" as risadas do público? Então. A maioria que ganha, que faz o 'risômetro' subir, faz comentários/piadas batidas, que já foram repetidas um zilhão de vezes, e grande parte se apoia no preconceito. Sabe piada que fala de gay, de gordo, nordestino, etc? Esse tipo.
O negócio simplesmente não tem graça! Eu não entendo como as pessoas riem de passar mal. São piadas burras, não são nada além de estereótipos, caricaturas, e falam muito mal, com superioridade, de algum grupo da sociedade, as chamadas minorias, e só fazem repetir: "vamos rir de fulano, olhem só como ele é... Gay!" ou "beltrano é hilário e ridículo, ele é tão... Gordo, rárárá". E dai pra baixo.
Voltando a frase do começo, eu já a ouvi ser dita tanto por ai que eu sei, tenho certeza mesmo, que o cara a disse porque pra ele é automático. Tipos, não dá pra deixar a oportunidade passar, né não? Mas isso não representa o que ele de fato pensa. Nãããão!
Sei que ele não julgaria tão duramente seu ato, e que não se acha racista só porque fez um comentário brincalhão. Ora ora.
Mas eu penso o seguinte, se você não é racista, porque repetir um comentário/frase/piada de mau gosto que só existe porque em algum momento do passado, ela era a lei? Dizia-se que negros não tinham alma, não eram gente, portanto essa frase tão inocente é reflexo de algo que as pessoas realmente acreditavam, ou se não acreditavam, fingiam acreditar pra não perder seus privilégios.
Pra que falar isso, caramba? (E bem na semana da discussão do racismo. Meu amigo é mesmo um primor de sensibilidade).
Porque, é sério, não é engraçado. Racismo nunca será engraçado. *
Tô intolerante com essas situações. Não dou risada, não acho engraçadinho, e não acho que não tem importância.
Eu deveria estar aberta ao diálogo, entoar mantras e explicar direitinho o que eu acho disto para ele, ou pra qualquer um que faça o mesmo papel, mas eu ainda tô com a imagem fresquinha na mente daquela descarga funcionando.
* Tem uma espécie de humor (curiosamente chamado de humor negro) que é justamente inserir numa piada alguma situação trágica, dramática, enfim, algo que não é por si só engraçado. Mas ai tem um contexto onde a piada será contada. Você não pode chegar na situação que quiser e fazer essa junção e chamar de humor negro, e pior, querer que as pessoas riam disso.
Eu fiquei com vontade de mandar essa pessoa tomar... Um copo d'água.
Claro que se eu falasse o que passou pela minha cabeça, ou se desse a dica pra ele enfiar a cabeça na privada e dar uma loooonga descarga, eu seria *A* louca, desequilibrada, sem senso de humor, chata, bruta, e que não sabe rir de uma piadinha sem maldade.
Fico possessa de saber que a maioria das pessoas pensam assim. Que acham que uma piada, um comentário qualquer, como o desse cara, assim dito solto, é só isso, uma piadinha sem maiores consequências.
Racistas? Não meu amor, essas pessoas só tem humor e simpatia saindo pelos poros!
Queridinho, isso que você disse/pensa NÃO É apenas um comentário solto, sem maldade, sem consequência!
Eu só disse na hora: "Risômetro na tela", que é o que eu sempre digo ao ouvir coisas de mau gosto que se acham **engraçadinhas**. Sabe o quadro do Faustão em que comediantes fazem suas esquetes e um termômetro "mede" as risadas do público? Então. A maioria que ganha, que faz o 'risômetro' subir, faz comentários/piadas batidas, que já foram repetidas um zilhão de vezes, e grande parte se apoia no preconceito. Sabe piada que fala de gay, de gordo, nordestino, etc? Esse tipo.
O negócio simplesmente não tem graça! Eu não entendo como as pessoas riem de passar mal. São piadas burras, não são nada além de estereótipos, caricaturas, e falam muito mal, com superioridade, de algum grupo da sociedade, as chamadas minorias, e só fazem repetir: "vamos rir de fulano, olhem só como ele é... Gay!" ou "beltrano é hilário e ridículo, ele é tão... Gordo, rárárá". E dai pra baixo.
Voltando a frase do começo, eu já a ouvi ser dita tanto por ai que eu sei, tenho certeza mesmo, que o cara a disse porque pra ele é automático. Tipos, não dá pra deixar a oportunidade passar, né não? Mas isso não representa o que ele de fato pensa. Nãããão!
Sei que ele não julgaria tão duramente seu ato, e que não se acha racista só porque fez um comentário brincalhão. Ora ora.
Mas eu penso o seguinte, se você não é racista, porque repetir um comentário/frase/piada de mau gosto que só existe porque em algum momento do passado, ela era a lei? Dizia-se que negros não tinham alma, não eram gente, portanto essa frase tão inocente é reflexo de algo que as pessoas realmente acreditavam, ou se não acreditavam, fingiam acreditar pra não perder seus privilégios.
Pra que falar isso, caramba? (E bem na semana da discussão do racismo. Meu amigo é mesmo um primor de sensibilidade).
Porque, é sério, não é engraçado. Racismo nunca será engraçado. *
Tô intolerante com essas situações. Não dou risada, não acho engraçadinho, e não acho que não tem importância.
Eu deveria estar aberta ao diálogo, entoar mantras e explicar direitinho o que eu acho disto para ele, ou pra qualquer um que faça o mesmo papel, mas eu ainda tô com a imagem fresquinha na mente daquela descarga funcionando.
* Tem uma espécie de humor (curiosamente chamado de humor negro) que é justamente inserir numa piada alguma situação trágica, dramática, enfim, algo que não é por si só engraçado. Mas ai tem um contexto onde a piada será contada. Você não pode chegar na situação que quiser e fazer essa junção e chamar de humor negro, e pior, querer que as pessoas riam disso.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
20 de Novembro - Dia da Consciência Negra
Um fim de semana inteiro cortando, colando e pensando em alguma coisa pra fazer pra exposição sobre a Consciência Negra. Assim, pra entregar amanhã, dia 16, algo que eu já sabia faz mais de mês que eu tinha que fazer.
Isso tem nome, procrastinação, e significa adiamento de uma ação. Tudo bem parecer um palavrão, eu mereço!!
Tô com dor nas costas de tanto ficar abaixada pintando e colando, e com dor de cabeça por ver que tem muita coisa que ficou de fora, e que, tá, eu confesso, a minha contribuição tá tosca (hehe, alguma dúvida?). Alguns podem pensar, "poxa, um final de semana pra você fazer isso?". Ok, mereço isso também.
Ah, sim, ainda tenho que preparar minha participação no Sarau (da biblioteca de Palmeiras).
Socorro!!
.
Pelo menos temos boas intenções (não é isso que vale? XD). Falar sobre a aparência da mulher negra, como isso é retratado, e não retratado, nos meios de comunicação; a não representatividade da mulher negra; o que é estimulado pela repetição do que é mostrado na tv, revistas, etc (cabelo liso, traços finos, pele branca, etc) e o que é desencorajado a se ter/parecer (cabelo crespo, pele negra, lábios e nariz grossos, etc); a beleza padronizada, apoiada pela indústria da cirurgia plástica, do alisamento para cabelo, etc.
Alguma dúvida que eu ia ficar devendo alguma coisa pra falar sobre tudo isso?
Isso tem nome, procrastinação, e significa adiamento de uma ação. Tudo bem parecer um palavrão, eu mereço!!
Tô com dor nas costas de tanto ficar abaixada pintando e colando, e com dor de cabeça por ver que tem muita coisa que ficou de fora, e que, tá, eu confesso, a minha contribuição tá tosca (hehe, alguma dúvida?). Alguns podem pensar, "poxa, um final de semana pra você fazer isso?". Ok, mereço isso também.
Ah, sim, ainda tenho que preparar minha participação no Sarau (da biblioteca de Palmeiras).
Socorro!!
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Pelo menos temos boas intenções (não é isso que vale? XD). Falar sobre a aparência da mulher negra, como isso é retratado, e não retratado, nos meios de comunicação; a não representatividade da mulher negra; o que é estimulado pela repetição do que é mostrado na tv, revistas, etc (cabelo liso, traços finos, pele branca, etc) e o que é desencorajado a se ter/parecer (cabelo crespo, pele negra, lábios e nariz grossos, etc); a beleza padronizada, apoiada pela indústria da cirurgia plástica, do alisamento para cabelo, etc.
Alguma dúvida que eu ia ficar devendo alguma coisa pra falar sobre tudo isso?
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Sobre o ENEM.
Tem várias coisas que eu gostaria de escrever sobre isso, mas, por enquanto, vou apontar apenas uma coisa que me incomoda no caso do erro no ENEM: este assunto tomou uma importância gigantesca e de debate superficial.
Basta em qualquer grupo de pessoas você mencionar "enem" que as pessoas começam a emitir sua opinião, uma avalanche de críticas negativas à prova e ao governo.
Palavras como "palhaçada" e "incompetência" rolam soltas, e coisas como "governo da palhaçada" e "governo incompetente" também fazem presença. Ah, além do "é por isso que o Brasil não vai pra frente".
É assim, nesse nível, e para por ai.
.
Bom, eu não preciso de mais ninguém me dizendo isto. Já ouvi, por infelicidade, aquele apresentador, Faccioli*, esbravejar no seu programa sua opinião que é só mais do mesmo, um discurso nervoso e vazio.
Basta em qualquer grupo de pessoas você mencionar "enem" que as pessoas começam a emitir sua opinião, uma avalanche de críticas negativas à prova e ao governo.
Palavras como "palhaçada" e "incompetência" rolam soltas, e coisas como "governo da palhaçada" e "governo incompetente" também fazem presença. Ah, além do "é por isso que o Brasil não vai pra frente".
É assim, nesse nível, e para por ai.
.
Bom, eu não preciso de mais ninguém me dizendo isto. Já ouvi, por infelicidade, aquele apresentador, Faccioli*, esbravejar no seu programa sua opinião que é só mais do mesmo, um discurso nervoso e vazio.
Vocês estão putos. Isso eu já sei.
Podemos prosseguir com a discussão?
Parece que a coisa toda ficou restrita a vamos falar mal do enem, todos nós. E ponto. Fica nessa e no final, vejo que há uma mobilização e gasto de energia para desvalorizar, diminuir o valor do que é o ENEM, para assim varrer ele pra bem longe. E por que esse aue todo, tanto barulho por nada? Porque quem faz o enem hoje faz por causa do ProUni (Programa Universidade para Todos). Ahá!
Parece que tudo aquilo que o ENEM representa para o estudante pobre, toda a democratização do ensino superior que ele tornou possível, todas essas coisas valem nada, pois houve um erro na impressão de algumas provas!
.
Não acho que o erro não foi nada demais, acho que a prova tinha que ser impecável. Mas não vou ficar queimando o enem assim.
Que parte da nossa sociedade se interessa e muito para que o ENEM perca a credibilidade e acabe? Quem são aqueles que não estão se aguentando de raiva de ver o filho da empregada ir estudar na mesma sala de aula com eles? Quem quer que o ensino superior seja restrito a algumas pessoas para sempre? Quem não suporta o governo que está tentando acabar com o privilégio deles?
Não faço parte dessa camada privilegiada.
.
Eu fiz a prova que não apresentou erros de impressão, quero fazer faculdade no próximo ano, e se tudo der certo, conseguirei uma bolsa de estudos pelo ProUni. Isso tudo graças a minha participação no ENEM, pois a nota que eu tirar será usada como critério para adquirir esta bolsa. E graças ao governo PT. E mesmo se eu não fosse diretamente beneficiada, eu ia apoiar o ENEM do mesmo jeito. Porque, né, políticas para tornar acessível à todos o que era restrito à uma minoria? Onde é que eu assino?
.
Concluindo, tá na cara que o ENEM é bom, e só está começando. O número de inscritos só tem aumentado, e as universidades que tem aceitado usar sua nota para o estudante ingressar nelas também.
Tenho várias críticas ao ensino educacional no Brasil, claro, quem não quer que as coisas melhorem e continuem melhorando? Todo mundo quer! Só que esse todo mundo não vê que o ENEM já é a mudança, já foi dado um dos passos para a melhoria da educação.
É necessário fazer uns ajustes, não jogar tudo fora!
Há vida após as impressões falhas, tenho certeza. ;)
*este tipo de apresentador, o que quer botar lenha na fogueira e paga de grande entendedor da sociedade e de cara sensível que sabe apontar os problemas da mesma, foi perfeitamente retratado no filme "Tropa de Elite 2", e ele não é um personagem legal. heehe
Parece que tudo aquilo que o ENEM representa para o estudante pobre, toda a democratização do ensino superior que ele tornou possível, todas essas coisas valem nada, pois houve um erro na impressão de algumas provas!
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Não acho que o erro não foi nada demais, acho que a prova tinha que ser impecável. Mas não vou ficar queimando o enem assim.
Que parte da nossa sociedade se interessa e muito para que o ENEM perca a credibilidade e acabe? Quem são aqueles que não estão se aguentando de raiva de ver o filho da empregada ir estudar na mesma sala de aula com eles? Quem quer que o ensino superior seja restrito a algumas pessoas para sempre? Quem não suporta o governo que está tentando acabar com o privilégio deles?
Não faço parte dessa camada privilegiada.
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Eu fiz a prova que não apresentou erros de impressão, quero fazer faculdade no próximo ano, e se tudo der certo, conseguirei uma bolsa de estudos pelo ProUni. Isso tudo graças a minha participação no ENEM, pois a nota que eu tirar será usada como critério para adquirir esta bolsa. E graças ao governo PT. E mesmo se eu não fosse diretamente beneficiada, eu ia apoiar o ENEM do mesmo jeito. Porque, né, políticas para tornar acessível à todos o que era restrito à uma minoria? Onde é que eu assino?
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Concluindo, tá na cara que o ENEM é bom, e só está começando. O número de inscritos só tem aumentado, e as universidades que tem aceitado usar sua nota para o estudante ingressar nelas também.
Tenho várias críticas ao ensino educacional no Brasil, claro, quem não quer que as coisas melhorem e continuem melhorando? Todo mundo quer! Só que esse todo mundo não vê que o ENEM já é a mudança, já foi dado um dos passos para a melhoria da educação.
É necessário fazer uns ajustes, não jogar tudo fora!
Há vida após as impressões falhas, tenho certeza. ;)
*este tipo de apresentador, o que quer botar lenha na fogueira e paga de grande entendedor da sociedade e de cara sensível que sabe apontar os problemas da mesma, foi perfeitamente retratado no filme "Tropa de Elite 2", e ele não é um personagem legal. heehe
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Falha de São Paulo.
hahahahaha... (pausa para respirar) hahahahaha...
Ainda bem que eu não estava bebendo nada na hora que assisti o vídeo, ou teria cuspido tudinho no monitor. Muito, muito bom!!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Dos preconceitos que a gente pensa que não tem.
Tô boba tô besta...
Estou sendo obrigada a ouvir aqui no trabalho vários hits do funk brasileiro, e de repente, quando meus ouvidos estavam quase caindo, e eu não tinha pra onde correr pra enterrar a cabeça debaixo da terra, tentei prestar atenção no que a letra dizia. E para minha surpresa, a letra era totalmente feminista!!
Para tudo!!!
Eu tava esperando coisas do tipo "vou fazer assim e assado com você, sua cachorra" e ao fundo gemidos femininos dus infernus, mas não! Nada de submissão, e um trecho que deixa bem claro que a menina vai sair pra se divertir com ela mesma, vai dançar, dançar, dançar!
Gente, eu já ouvi esta bendita música um milhão de vezes, e nunca tinha a escutado!
Meu preconceito com estas músicas em geral fazia com que eu ficasse surdinha da silva. Acho que é isso o que acontece com as pessoas que não veem o sexismo em que vivemos, acham natural e não prestam a menor atenção ao que está acontecendo bem debaixo do nariz.
Perlla querida, você tem o meu respeito! ;)
Estou sendo obrigada a ouvir aqui no trabalho vários hits do funk brasileiro, e de repente, quando meus ouvidos estavam quase caindo, e eu não tinha pra onde correr pra enterrar a cabeça debaixo da terra, tentei prestar atenção no que a letra dizia. E para minha surpresa, a letra era totalmente feminista!!
Para tudo!!!
Eu tava esperando coisas do tipo "vou fazer assim e assado com você, sua cachorra" e ao fundo gemidos femininos dus infernus, mas não! Nada de submissão, e um trecho que deixa bem claro que a menina vai sair pra se divertir com ela mesma, vai dançar, dançar, dançar!
Gente, eu já ouvi esta bendita música um milhão de vezes, e nunca tinha a escutado!
Meu preconceito com estas músicas em geral fazia com que eu ficasse surdinha da silva. Acho que é isso o que acontece com as pessoas que não veem o sexismo em que vivemos, acham natural e não prestam a menor atenção ao que está acontecendo bem debaixo do nariz.
Perlla querida, você tem o meu respeito! ;)
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre e-mails que te puxam o pé.
Hoje meu cunhado me enviou um e-mail relatando mais um caso de violação dos direitos da mulher. Fiquei pensando o quanto é sintomático agora para várias pessoas que tem visto o meu lado feminista, fazer chegar até mim informações que tratem disto.
Achei engraçado (no sentido de curioso) pensar que alguém viu uma notícia e lembrou de mim. =)
Bom, sobre o e-mail: trata-se do caso da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, acusada de adultério e sentenciada à morte. Como o texto do e-mail me fez lembrar daquelas correntes, tipo mande esta mensagem para 1.500 amigos e receba uma bênção (isso por causa do trecho: temos 12 horas para salvar Sakineh), fui pesquisar pela net se a informação havia saído num destes jornais on-line. De fato tava lá a notícia. Pra quem quiser saber direto da fonte, o link.
Resumidamente, Sakineh foi acusada de adultério no seu país, o Irã, foi condenada à morte, como já falei, conseguiu que a decisão fosse anulada, pois o tal adultério teria ocorrido após a morte de seu marido. Lógico que isto não muda o fato de que é um absurdo, uma barbárie alguém ser condenado à morte por ter traído seu cônjuge, mas prossigamos.
Pois após essa anulação, ela é novamente acusada, agora por participação no assassinato de seu marido. Isso, se fosse verdade, mereceria sim julgamento (não obviamente com essa pena de morte lá do século retrasado, como se não tivéssemos avançado um pouquinho no tema justiça), mas é bem cômodo para as autoridades do Irã terem achado, num piscar de olhos, um motivo pra continuar com a execução.
Então, acredito que a história é exatamente essa, existe uma mulher prestes a morrer da pior forma possível por ter cometido o "crime" de praticar sexo sem estar casada.
Mulheres no mundo todo não têm completa autonomia sob seus corpos. Somos educadas para casarmos virgens, e nos entregarmos ao nosso dono, digo, marido, puras e inocentes. Temos nossos corpos medidos diariamente pelos machos da espécie, que não titubeiam em dar seu veredicto sobre nós, dizendo em alto e bom som palavras dirigidas às nossas formas físicas, dentre outras coisas totalmente desrespeitosas e invasivas do nosso espaço.
Quando temos vida sexual sem estarmos formalmente casadas, somos chamadas de vadias, putas, entre outros termos usados para nos diminuir o valor, pra nos rebaixar. Tudo isso acontece no mundo todo, mas em alguns países há leis que permitem que essas coisas sejam punidas com a morte. Sim, tudo dentro da lei deles.
Em suma, somos vistas como objetos ao andar na rua, e temos que ser sexualmente atraentes para ouvir os tais "gracejos", mas quando gostamos de ser sexualmente atraentes, e encaramos outras pessoas como sexualmente atraentes, somos punidas. Até com a morte.
Tem esse link aqui, pro site Salve a Sakineh. Lá temos a possibilidade de enviar uma mensagem aos governantes pedindo que não a executem.
Fico pensando se isso pode realmente ajuda-la, e acho muito estranho porque parece um ato pequeno demais, insignificante, mas acabei enviando uma também. Como eles pedem um nome e um e-mail, vou ficar aguardando o envio de vírus pra minha conta.
Enviei por e-mail pros meus contatos sobre isso, e me pareceu um ato igualmente insignificante. Até relacionei o texto que recebi com as mensagens-praga, especificamente da menina do poço, aquela do filme "O Chamado". Vocês já leram?
É mais ou menos assim: "você que está lendo esta mensagem, reenvie-a a todos seus contatos senão eu vou aparecer de noite para puxar o teu pé".
Só que coloquei o nome Samantha, quando o certo é Samara. Putz.
Quem sabe alguém manda uma resposta dizendo que eu errei o nome. Seria muito bom, ia ser a prova de que alguém leu o e-mail, pelo menos.
É uma droga saber que as pessoas que repassam os e-mails da Samara, que não servem pra nada, não repassam o da Sakine. Eles podem não levar ao seu salvamento, mas acho que abrem as portas pra discussão.
Achei engraçado (no sentido de curioso) pensar que alguém viu uma notícia e lembrou de mim. =)
Bom, sobre o e-mail: trata-se do caso da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, acusada de adultério e sentenciada à morte. Como o texto do e-mail me fez lembrar daquelas correntes, tipo mande esta mensagem para 1.500 amigos e receba uma bênção (isso por causa do trecho: temos 12 horas para salvar Sakineh), fui pesquisar pela net se a informação havia saído num destes jornais on-line. De fato tava lá a notícia. Pra quem quiser saber direto da fonte, o link.
Resumidamente, Sakineh foi acusada de adultério no seu país, o Irã, foi condenada à morte, como já falei, conseguiu que a decisão fosse anulada, pois o tal adultério teria ocorrido após a morte de seu marido. Lógico que isto não muda o fato de que é um absurdo, uma barbárie alguém ser condenado à morte por ter traído seu cônjuge, mas prossigamos.
Pois após essa anulação, ela é novamente acusada, agora por participação no assassinato de seu marido. Isso, se fosse verdade, mereceria sim julgamento (não obviamente com essa pena de morte lá do século retrasado, como se não tivéssemos avançado um pouquinho no tema justiça), mas é bem cômodo para as autoridades do Irã terem achado, num piscar de olhos, um motivo pra continuar com a execução.
Então, acredito que a história é exatamente essa, existe uma mulher prestes a morrer da pior forma possível por ter cometido o "crime" de praticar sexo sem estar casada.
Mulheres no mundo todo não têm completa autonomia sob seus corpos. Somos educadas para casarmos virgens, e nos entregarmos ao nosso dono, digo, marido, puras e inocentes. Temos nossos corpos medidos diariamente pelos machos da espécie, que não titubeiam em dar seu veredicto sobre nós, dizendo em alto e bom som palavras dirigidas às nossas formas físicas, dentre outras coisas totalmente desrespeitosas e invasivas do nosso espaço.
Quando temos vida sexual sem estarmos formalmente casadas, somos chamadas de vadias, putas, entre outros termos usados para nos diminuir o valor, pra nos rebaixar. Tudo isso acontece no mundo todo, mas em alguns países há leis que permitem que essas coisas sejam punidas com a morte. Sim, tudo dentro da lei deles.
Em suma, somos vistas como objetos ao andar na rua, e temos que ser sexualmente atraentes para ouvir os tais "gracejos", mas quando gostamos de ser sexualmente atraentes, e encaramos outras pessoas como sexualmente atraentes, somos punidas. Até com a morte.
Tem esse link aqui, pro site Salve a Sakineh. Lá temos a possibilidade de enviar uma mensagem aos governantes pedindo que não a executem.
Fico pensando se isso pode realmente ajuda-la, e acho muito estranho porque parece um ato pequeno demais, insignificante, mas acabei enviando uma também. Como eles pedem um nome e um e-mail, vou ficar aguardando o envio de vírus pra minha conta.
Enviei por e-mail pros meus contatos sobre isso, e me pareceu um ato igualmente insignificante. Até relacionei o texto que recebi com as mensagens-praga, especificamente da menina do poço, aquela do filme "O Chamado". Vocês já leram?
É mais ou menos assim: "você que está lendo esta mensagem, reenvie-a a todos seus contatos senão eu vou aparecer de noite para puxar o teu pé".
Só que coloquei o nome Samantha, quando o certo é Samara. Putz.
Quem sabe alguém manda uma resposta dizendo que eu errei o nome. Seria muito bom, ia ser a prova de que alguém leu o e-mail, pelo menos.
É uma droga saber que as pessoas que repassam os e-mails da Samara, que não servem pra nada, não repassam o da Sakine. Eles podem não levar ao seu salvamento, mas acho que abrem as portas pra discussão.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Pra quem ainda está na vibe.
Ontem, no feriado de finados, estava conversando com minha amiga de sonhos/pirações, sobre... Política. Claro.
E ela falou numa das pausas: "Nossa, a gente só sabe falar de política!", e demos risada. Pior que é, a gente virou uma máquina de falar de partido, candidato, etc. Ainda estamos com essa energia, e meio que dá vontade de gritar chega!, em alguns momentos.
Por isso, resolvi fazer um post mais ameno, só com alguns links pra sites interessantes que descobri nos últimos tempos. Ah, e alguns nem são sobre política, acreditem se quiser. =P
Pra quem tiver curiosidade de saber como foi a porcentagem de votos no seu município pra cada candidato:
www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-votacao-para-presidente-nos-municipios,123626.htm
(Em Suzano foi 51,27% pro PSDB, contra 48,73% para o PT).
E ela falou numa das pausas: "Nossa, a gente só sabe falar de política!", e demos risada. Pior que é, a gente virou uma máquina de falar de partido, candidato, etc. Ainda estamos com essa energia, e meio que dá vontade de gritar chega!, em alguns momentos.
Por isso, resolvi fazer um post mais ameno, só com alguns links pra sites interessantes que descobri nos últimos tempos. Ah, e alguns nem são sobre política, acreditem se quiser. =P
Pra quem tiver curiosidade de saber como foi a porcentagem de votos no seu município pra cada candidato:
www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-votacao-para-presidente-nos-municipios,123626.htm
(Em Suzano foi 51,27% pro PSDB, contra 48,73% para o PT).
Uma graça de site, que divulga o trabalho de um bonequeiro chamado tio Faso (um cara que faz bonecos simplesmente apaixonantes):
Site musical da cantora Natália Mallo, dica dada pela minha irmãzinha Dani. =)
Ouçam "Banheira" e se deliciem. Ah, essa música é trilha sonora do seriado "Tudo o que é sólido pode derreter", passa na tv Cultura e é muito bom também.
Fim.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Dos nossos sonhos.
Estou muito, muito feliz com a vitória da Dilma. O anúncio oficial foi um daqueles momentos marcantes o bastante para daqui a vários anos poder responder "onde você estava quando a Dilma se tornou presidenta?"
Mas, ao lado dessa felicidade, veio uma vontade de chorar, tanto por causa da emoção de toda a campanha (agressiva campanha), quanto por ver que tem muita coisa a ser feita ainda, agora desse lado, do lado comunitário, do meu lado e do bairro onde eu moro. Isso também é política, mas é a política do dia a dia, do passinho de formiga. Sim, porque eleger uma mulher presidenta é um passo histórico, mas não é porque isso aconteceu que o sexismo, misoginia e afins fizeram pluf!, sumiram num passe de mágica. Vem trabalho forte por ai.
Vontade de criar logo uma frente de mulheres, organizar reuniões, palestras, falar com elas sobre como a gente vive num sistema que tenta nos rotular em santas e putas, basicamente. E que nos separando, faz com que nossas conquistas sejam difíceis, que nosso tratamento seja diferente, que nossas vidas sejam limitadas.
Estou feliz e estou melancólica.
E fico pensando em nossos sonhos. Meus e da minha grande amiga Dai, que voamos sempre em nossas ideias, que almejamos sempre algo grande, que tiramos os pés do chão muitas vezes imaginando o futuro.
E o futuro é "belo incerto, depende de como você vê". rsrs, TM!!
Força pra caminhada!
Mas, ao lado dessa felicidade, veio uma vontade de chorar, tanto por causa da emoção de toda a campanha (agressiva campanha), quanto por ver que tem muita coisa a ser feita ainda, agora desse lado, do lado comunitário, do meu lado e do bairro onde eu moro. Isso também é política, mas é a política do dia a dia, do passinho de formiga. Sim, porque eleger uma mulher presidenta é um passo histórico, mas não é porque isso aconteceu que o sexismo, misoginia e afins fizeram pluf!, sumiram num passe de mágica. Vem trabalho forte por ai.
Vontade de criar logo uma frente de mulheres, organizar reuniões, palestras, falar com elas sobre como a gente vive num sistema que tenta nos rotular em santas e putas, basicamente. E que nos separando, faz com que nossas conquistas sejam difíceis, que nosso tratamento seja diferente, que nossas vidas sejam limitadas.
Estou feliz e estou melancólica.
E fico pensando em nossos sonhos. Meus e da minha grande amiga Dai, que voamos sempre em nossas ideias, que almejamos sempre algo grande, que tiramos os pés do chão muitas vezes imaginando o futuro.
E o futuro é "belo incerto, depende de como você vê". rsrs, TM!!
Força pra caminhada!
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
"SIM, MULHERES PODEM!"
Dilma, eleita 1ª PresidentA do Brasil.
Vou copiar descaradamente aqueles cartazes que os torcedores exibem nos estádios:
Eu já sabia. =)
Vou copiar descaradamente aqueles cartazes que os torcedores exibem nos estádios:
Eu já sabia. =)
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