sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Posse da Presidenta Dilma.

Enquanto assistia uma reportagem sobre os preparativos da posse, lagriminhas rolaram de meus zoinhos. ç.ç
Isso e meu braço se estendeu automaticamente para o alto:























(na foto: Gloria Steinem (jornalista/ativista feminista americana) e Dorothy Pitman Hughes (ativista feminista americana))


Essa comoção é mais forte do que nós mesmas, vem sem pensar, acho que as imagens são como um gatilho que é acionado, e aí, quando você se dá conta, você está se emocionando por algo que nem sabe explicar direito.

Não se trata de uma emoção com algo individual, só seu, é um arrepio (ui!) sobre a coletividade, algo que é invisível, mas parece poder ser pego no ar de tão forte que é.

Está acontecendo.





(Amanhã, dia 1º de janeiro de 2011, às 13H, cerimônia de posse da Presidenta Dilma. Vo chorá!)

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Balancinho 2010.

Pois bem. Dias de debates **muito legais** e meeeeses de ociosidade. O ano em que eu definitivamente vesti a camisa do feminismo. Mesmo que com bastante discrição. Mas é assim mesmo, creio.
Feminismo é uma mudança que vem as poucos, e que provoca muito mais internamente do que externamente. O contrário da nossa entrada na sociedade, né mesmo? Quando temos que engolir todas essas construções sociais de certo/errado, essas coisas que vem de fora.

Não é fácil num mundo inteiro que tem como regra outras pegadas, você chegar com um pensamento/discurso contrário. Todo mundo fala sobre "coisas de mulher" e "coisas de homem", e criminalizam aqueles que pisam fora do seu quadrado. Homem fazendo "coisas de mulher"?
Bom, tem um nome pra isso que eu ouço umas duzentas vezes por dia, mais ou menos.
É 'boiolice' e 'viadagem', não necessariamente nessa ordem.
Trabalhe com maioria de homens e veja os temas rodarem, rodarem, rodarem e sempre pararem nisso. Não que mulheres também não falem disso, mas os homens tem uma tara obsessiva por esse tema, devido a criação ("você precisa ser macho, meu filho"). É meio enlouquecedor, até.

Sabem por que há esse desconforto todo, parecido com, sei lá, esfregar cocô de bode na cara do sujeito, em aparentar traços "femininos"? Porque ser/aparentar ser mulher é um ultraje.
Somos o segundo sexo. O sexo submisso.
Quem quer se aparentar com o que vem depois do sexo dominante? Quem quer ser mulher quando mulher na sociedade vale menos que homem? Eu quero é ser homem, pô! (cospe no chão, coça o saco)

Então, entender o feminismo é lutar do lado da igualdade. É parar de achar que isso eu posso, aquilo eu não posso, porque vai me feminilizar. Ou o contrário, masculinizar. Mulher que se masculiniza. Mulher macho, né? Mesma coisa, só que acho que é bem menos tara obsessiva.
Meu, você pode chorar, você pode não se depilar, você pode usar rosa, você pode transar sem compromisso, prove que você é mesmo o único animal racional deste planeta!

Como em outro post que eu escrevi, sobre o rosa/azul. Pegue tudo que é considerado feminino e masculino, entenda o porquê dessas regras todas, e apague essa ideia de que os gêneros são tão delineados assim!
NÃO SÃO!
Não aceite a ideia de que homens são assim e mulheres são assado porque Deus assim os fez. (Ih, tema complicado, religião. Ai.) Resumidamente: sinto vontade de rir muito com algumas ideias de algumas religiões (regras que foram inventadas pelos próprios homens), quando entram na questão de gênero, sexualidade, etc. Até mesmo na única religião/filosofia que eu admiro, o budismo, eu já vi coisas que envolvem segregação pelo gênero, então, o que eu faço? Fico com a parte boa do budismo, e dos absurdos, eu dou muita risada! Graças a Deusa! ;)

Ah, esse ano foi legal porque elegemos a 1ª Presidenta, as lutas feministas ficaram em evidência, e isso tudo vai crescer nos próximos anos. Espero que as pessoas discutam um passo além daqui por diante, que a visão de todos se amplie.
Que todas nós possamos ser por fora o que somos por dentro, sem ficarmos noiadas com o que as pessoas vão dizer de mim, aimeudeus!
Que as famílias com outras formações (mulher+mulher, homem+homem) fiquem cada vez mais comuns.
Que uma mulher não precise ouvir que tem que ser uma santa pra sociedade e uma puta para seu homem (hahaha... "Meu homem..." Piada interna!).
Que a gente não se preocupe tanto com nossa aparência, e não gastemos mais nossos salários em um monte de coisa para nos consertarmos/arrumarmos (a gente só conserta o que está quebrado, mulher sempre tá defeituosa então?).
Que a gente envelheça mais sábia, e não tendo medo disso. (Leila Lopes se suicidou por medo da velhice. Você consegue imaginar algo mais triste que isso?). E que a sociedade pare de nos dizer isso também, que passou de certa idade, game over. Não!!! Que a gente viva muito! E bem!!

Que as mães/pais não deem mini cozinhas pra suas filhas nem carrinhos pros filhos, nem briguem (brigar? Tem gente que espancaria a criança se visse uma coisa dessas!) se o menino está brincando de casinha e a menina de bola.

Que as meninas não fiquem esperando por príncipes encantados em cavalos brancos, que os meninos possam chorar bastante (chorar faz bem, viu?), e a exercitar sua sensibilidade. Que não sejam pessoas pautadas pelas diferenças, que não deem notas a partir da aparência das pessoas, que repudiem o racismo, a homofobia, machismo e quaisquer dessas pragas sociais!
Que o gênero de ninguém, sua cor ou sua orientação sexual sejam determinantes para se receber um "bom dia!" ou uma humilhação ou mesmo "ganhar" um espancamento ou estupro.
Que a gente vá além de todas essas coisas!
Que constatação doce e besta essa que nos traz um final de ano. Mesmo que tantas coisas apontem pra um "eu desisto", algumas de nós acreditam numa melhora pro ano novo.
Quanta coisa chata, triste, nos fizeram sentir um cansaço tão grande da humanidade, e até de nós mesmas, quantas vezes por dia a gente passa por coisas ou vê pessoas passando por elas e mal conseguimos nos arrastar até a cama.
Mas essa "coisa" nunca acaba. Essa força. Acho que é esperança.
Na verdade, que bom que é assim. Doces e bestas, forever! ♥♥♥
Um 2011 do melhor para todas(os)!!!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Não me canso de ficar surpresa com essas coisas.

Hoje fiquei sabendo de mais uma mulher que não trabalha porque o maridinho não deixa.
Fiquei muito brava e acho que me excedi nos comentários, mas é que não dá pra ficar com cara de paisagem diante dessas coisas, né mesmo?

Uma pessoa muito inteligente, a Aline Chiaradia, escreveu no blog dela uma coisa tão legal (como tudo que ela escreve) que os homens são muito soberbos. Não vou generalizar aqui, direi que há ALGUNS homens que são soberbos. Muito.

Aline completa: há homens que se acham a última bala, a última bolacha do pacote. Concordo.
E esses que não permitem que suas esposas trabalhem, são aqueles que sabem que não o são, que tem certeza que há homens bem mais interessantes, inteligentes, cativantes que eles, por isso tem esse medo de que as mulheres com as quais casaram se deem conta disto e mandem eles passear.
E também não querem dividir suas serviçais, né mesmo? Uma mulher que tem mais atividades no seu dia a dia não terá tempo de ser babá de homem barbado, e eles querem exclusividade.
Com tantas coisas mais importantes e legais que uma mulher pode fazer, algumas ainda tem que conquistar passaporte para fora da cozinha?
DÁ LICENÇA!!!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Perlla, você tem meu respeito...

...mas quase dois meses ouvindo você cantar t-o-d-o dia "tchira tchurou, tchira tchurou, rouá rouaááááá..." simplesmente não dá, amica!

Tento não endoidar e sair jogando clips nas cabeças alheias, porque eu gosto de democracia, e fico muito mal quando nem todos tem a sua chance de expor suas ideias, preferências. Acho profundamente feio da minha parte, mas... Saudades de quando meu trampo era uma ditadura. Tocava-se rock ou rock, e toda manifestação contrária era sumariamente abafada, calada.
Ruim isso, muito ruim, eu sei. Mas o negócio tá feio, e o "É o tchan" na selva, no Japão, nas arábias, na PQP também está sendo degustado. **Suspiros**

Enfim. Crise musical no trabalho, mode on.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Panis et circenses" - pão e circo‏



Pensando na vida.
Esperando que no final eu não veja que minhas preocupações foram restritas apenas em nascer e morrer.


*


Marisa Monte, cantando Panis et circenses, música de Caetano Veloso e Gilberto Gil.
Com sua voz fantástica, com seu vestido azul, óculos escuros e botas, Marisa, você pode tudo! Seu visual me encanta, seja em 1995 ou hoje. Essa música também me faz lembrar das do Raul, sobre a opinião formada sobre tudo, ou de estar sentado no trono de um apartamento esperando a morte chegar enquanto se esforça pra ser um sujeito normal.
Ser tudo aquilo que a sociedade espera. Todo preconceito que existe se baseia no que a sociedade não espera de nós. Resumidamente, você tem que ser um cidadão de bem.
Vocês, assim como eu, já ouviram muito este termo por aí? É típico de pessoas do sexo masculino, héteros e brancas. Ah, e dentro da classe média também.

Status quo, sacam? Não são só essas pessoas que dizem isso, claro, mas a maioria é sim. E o que elas realmente querem dizer é: "Ei, tire as mãos do meu privilégio! Eu sou um cidadão de bem e mereço tudo isso!"

Dizem isso frente tudo aquilo que é diferente deles. Tudo aquilo que não são eles. Como se assim, eles pudessem "apagar" aquilo que não concordam, não aceitam. Agem como se não fosse problema deles também.
Mas como eu já disse em outro post, sou sempre eu, é sempre comigo.

domingo, 21 de novembro de 2010

Na tv.

Ontem eu tava vendo na tv um programa daqueles ditos "femininos", seja lá o que isso queira dizer, e haviam três mulheres mais a apresentadora discutindo sobre iniciativa nos relacionamentos. Deveria o homem ou a mulher tomar a dianteira em relação a isso? Alguma dúvida de qual era a opinião delas?

O pior é que esses programas são iguais a uma nova plástica da Angela Bismarchi, é horrível, mas você tem que continuar vendo. Tentei achar na net o nome do programa e da apresentadora, mas o combo "apresentadora+televisão+loira", localizou vários exemplares, menos a que eu queria. Talvez se eu tivesse tentado "apresentadora+televisão+loira+asneirices". Ahh... Deixa pra lá.

Continuando, apenas uma das debatedoras disse ser a favor da mulher abordar o homem, e tinha lá uma história pra contar em que ela fez isso. Mas claro, frisando que só o fez porque o rapaz não tomava a frente nunca, coisa de um ano (que ela não é nenhuma desfrutável, lógico). As outras riam enquanto esta moça relatava seu caso, e eu ainda não entendi o porquê.
Seria essa moça uma transgressora, e a situação ridícula e algo a ser evitado a todo custo, e a simples menção do ato faz as outras mulheres (as lúcidas que nunca fariam isso) rirem muito? Ah, e riram mais ao saber que a moça virou apenas amiga do cara. Essa parte eu já achei perversa mesmo.

A querida apresentadora ainda disse que mulheres são princesas (sooono), e que na história da Cinderela (sim, ela faz paralelo com os contos de fadas) quem fica esperando pacientemente o príncipe aparecer é ela, não o contrário.
Princesas não salvam seus homi, nããão, nunca. É ele, o macho da espécie que vai ao seu encontro, levando uma prenda, um sapatinho de cristal. E completou que a mulher quer ser conquistada, e ela tem como fazê-lo. (piscadinha marota)

Gente, porque que elas não falam com todas as letras, "Está claro que nós, mulheres, só temos valor por uma coisa: nossa vaginas! É óbvio que este é o único atrativo que temos, portanto, mantenham-se castas, puras, façam "doce", um charminho, pois a partir do momento em que você tomar as rédeas e perguntar na lata "E aí, tem jeito?", estará condenada a arder no mármore do inferno! E solteirona!! (o horror, o horror)
Pois a característica mais valorizada ao lado da castidade é a submissão. Quem não sabe disso? Se não agir assim, nada mais fará você agarrar seu homem, o seu príncipe encantado. Game over pra você, fia!"
Porque é isso que elas pensam, e eu sei que seria bem mais legal se elas falassem exatamente isto. Chega de criar metáforas com cavalos brancos, sapatinhos de cristal e use bem suas armas. Sejam mais sacanas, pô!

Mas sério, tem muita gente que pensa assim ainda? Devo dizer que tenho MUITO medo da resposta.
Feminismo deve ser palavrão pra essas pessoas e feminista a própria besta do apocalipse.

sábado, 20 de novembro de 2010

Sobre uma blogueira maravilhosa.

Dia desses escrevi no meu outro blog (hoho, como tenho tempo e o que escrever, né mesmo?) que eu amo a Internet, por causa das coisas que ela me faz conhecer.
Não fosse a net, como eu teria contato com os ótimos textos de uma blogueira chamada Daniela, baiana, negra, feminista, e várias outras coisas maravilhosamente bem exploradas em seu blog, Histórias de Menina?
Entrei em contato com ela para poder utilizar um dos seus posts no Sarau da Consciência Negra, e ela muito gentilmente autorizou e pediu para que eu contasse depois como foi a receptividade. Infelizmente, a falta de planejamento fez nossa participação (cia Porta-Treco) dançar, mas obviamente pretendo usar o texto de Daniela no Sarau Feminista.

Gente que gosta de ler coisa boa, de pessoas que tem o que dizer, visitem o blog desta linda menina!
E aqui o post que eu levarei ao Sarau: Menina vai pra guerra.

Mas vejam o site todo, vale super a pena!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Notas aleatórias.

Eu vejo que as pessoas ainda não sabem o porquê da existência de algumas datas, como por exemplo, o dia da Consciência Negra. É só caramba, que legal, é feriado! E tem o lance do menosprezo, do ***e negro por acaso tem consciência?***, ou é o dia dos negros, etc. Da mesma forma que mulheres recebem rosas no dia internacional da mulher e parabéns.

*
Tô com certa preguiça de falar sobre com as pessoas. Muita preguiça.

*
Status quo é uma expressão em latim, significa estado em que se encontra algo. Querer mudar o status quo da sociedade atual implica a quebra do poder/supremacia dado a um certo grupo, representado pelo homem branco e hétero, e tirar as minorias dos estados de opressão/submissão, ou seja, qualquer grupo que não apresente as características citadas anteriormente. Mutcho bom ler sobre o assunto.

*
Nós mulheres somos treinadas para sermos emocionais, sensíveis, carentes e outras características que lidam de alguma forma com a parte sentimental que qualquer ser humano tem, homem ou mulher. Mas a coisa é tão repetida pra gente que se acredita que são características biológicas, inseparáveis e quem não tem não é normal. Toda essa meiguice e carência leva a relacionamentos bem toscos, apego, frustrações, baixa autoestima, e casos em que nós, mulheres, princesas delicadas (hoho) e "biologicamente" seres que pensam com o coração, não com a razão, nos envolvemos com caras que cagam em nossas cabeças. Isso é horrível, mas é verdade.

Vamos estudar bastante, conquistar um trabalho bacana, andar esse mundo, dar risada e deixar de lado essas muletas sentimentais. Todo mundo tem a possibilidade de se apaixonar, de casar, de ser sentimental, ou não. Ter a possibilidade não é ter a obrigatoriedade.
Vamos dizer um grande e sonoro desculpaê, mas eu não sou o que você espera de mim.


update: pra quem começa a ler sobre os assuntos, feminismo, racismo, etc, vai ver muito este termo, status quo. Todas as blogueiras que eu leio falam sobre ele.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tô meio intolerante.

Levei minha contribuição à exposição até o trabalho, pra de lá levá-la até a Biblioteca de Palmeiras, e por causa do formato curioso do pacote algumas pessoas perguntaram do que se tratava. Uma delas, após minha resposta de que se tratava de uma exposição sobre a consciência negra disse: "e negro por acaso tem consciência?"

Eu fiquei com vontade de mandar essa pessoa tomar... Um copo d'água.

Claro que se eu falasse o que passou pela minha cabeça, ou se desse a dica pra ele enfiar a cabeça na privada e dar uma loooonga descarga, eu seria *A* louca, desequilibrada, sem senso de humor, chata, bruta, e que não sabe rir de uma piadinha sem maldade.
Fico possessa de saber que a maioria das pessoas pensam assim. Que acham que uma piada, um comentário qualquer, como o desse cara, assim dito solto, é só isso, uma piadinha sem maiores consequências.
Racistas? Não meu amor, essas pessoas só tem humor e simpatia saindo pelos poros!
Queridinho, isso que você disse/pensa NÃO É apenas um comentário solto, sem maldade, sem consequência!

Eu só disse na hora: "Risômetro na tela", que é o que eu sempre digo ao ouvir coisas de mau gosto que se acham **engraçadinhas**. Sabe o quadro do Faustão em que comediantes fazem suas esquetes e um termômetro "mede" as risadas do público? Então. A maioria que ganha, que faz o 'risômetro' subir, faz comentários/piadas batidas, que já foram repetidas um zilhão de vezes, e grande parte se apoia no preconceito. Sabe piada que fala de gay, de gordo, nordestino, etc? Esse tipo.
O negócio simplesmente não tem graça! Eu não entendo como as pessoas riem de passar mal. São piadas burras, não são nada além de estereótipos, caricaturas, e falam muito mal, com superioridade, de algum grupo da sociedade, as chamadas minorias, e só fazem repetir: "vamos rir de fulano, olhem só como ele é... Gay!" ou "beltrano é hilário e ridículo, ele é tão... Gordo, rárárá". E dai pra baixo.

Voltando a frase do começo, eu já a ouvi ser dita tanto por ai que eu sei, tenho certeza mesmo, que o cara a disse porque pra ele é automático. Tipos, não dá pra deixar a oportunidade passar, né não? Mas isso não representa o que ele de fato pensa. Nãããão!
Sei que ele não julgaria tão duramente seu ato, e que não se acha racista porque fez um comentário brincalhão. Ora ora.
Mas eu penso o seguinte, se você não é racista, porque repetir um comentário/frase/piada de mau gosto que só existe porque em algum momento do passado, ela era a lei? Dizia-se que negros não tinham alma, não eram gente, portanto essa frase tão inocente é reflexo de algo que as pessoas realmente acreditavam, ou se não acreditavam, fingiam acreditar pra não perder seus privilégios.
Pra que falar isso, caramba? (E bem na semana da discussão do racismo. Meu amigo é mesmo um primor de sensibilidade).

Porque, é sério, não é engraçado. Racismo nunca será engraçado. *
Tô intolerante com essas situações. Não dou risada, não acho engraçadinho, e não acho que não tem importância.
Eu deveria estar aberta ao diálogo, entoar mantras e explicar direitinho o que eu acho disto para ele, ou pra qualquer um que faça o mesmo papel, mas eu ainda tô com a imagem fresquinha na mente daquela descarga funcionando.


* Tem uma espécie de humor (curiosamente chamado de humor negro) que é justamente inserir numa piada alguma situação trágica, dramática, enfim, algo que não é por si só engraçado. Mas ai tem um contexto onde a piada será contada. Você não pode chegar na situação que quiser e fazer essa junção e chamar de humor negro, e pior, querer que as pessoas riam disso.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

20 de Novembro - Dia da Consciência Negra

Um fim de semana inteiro cortando, colando e pensando em alguma coisa pra fazer pra exposição sobre a Consciência Negra. Assim, pra entregar amanhã, dia 16, algo que eu já sabia faz mais de mês que eu tinha que fazer.
Isso tem nome, procrastinação, e significa adiamento de uma ação. Tudo bem parecer um palavrão, eu mereço!!
Tô com dor nas costas de tanto ficar abaixada pintando e colando, e com dor de cabeça por ver que tem muita coisa que ficou de fora, e que, tá, eu confesso, a minha contribuição tá tosca (hehe, alguma dúvida?). Alguns podem pensar, "poxa, um final de semana pra você fazer isso?". Ok, mereço isso também.
Ah, sim, ainda tenho que preparar minha participação no Sarau (da biblioteca de Palmeiras).
Socorro!!
.
Pelo menos temos boas intenções (não é isso que vale? XD). Falar sobre a aparência da mulher negra, como isso é retratado, e não retratado, nos meios de comunicação; a não representatividade da mulher negra; o que é estimulado pela repetição do que é mostrado na tv, revistas, etc (cabelo liso, traços finos, pele branca, etc) e o que é desencorajado a se ter/parecer (cabelo crespo, pele negra, lábios e nariz grossos, etc); a beleza padronizada, apoiada pela indústria da cirurgia plástica, do alisamento para cabelo, etc.
Alguma dúvida que eu ia ficar devendo alguma coisa pra falar sobre tudo isso?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sobre o ENEM.

Tem várias coisas que eu gostaria de escrever sobre isso, mas, por enquanto, vou apontar apenas uma coisa que me incomoda no caso do erro no ENEM: este assunto tomou uma importância gigantesca e de debate superficial.
Basta em qualquer grupo de pessoas você mencionar "enem" que as pessoas começam a emitir sua opinião, uma
avalanche de críticas negativas à prova e ao governo.
Palavras como "palhaçada" e "incompetência" rolam soltas, e coisas como "governo da palhaçada" e "governo incompetente" também fazem presença. Ah, além do "é por isso que o Brasil não vai pra frente".
É assim, nesse nível, e para por ai.
.
Bom, eu não preciso de mais ninguém me dizendo isto. Já ouvi, por infelicidade, aquele apresentador, Faccioli*, esbravejar no seu programa sua opinião que é só mais do mesmo, um discurso nervoso e vazio.
Vocês estão putos. Isso eu já sei.
Podemos prosseguir com a discussão?
Parece que a coisa toda ficou restrita a vamos falar mal do enem, todos nós. E ponto. Fica nessa e no final, vejo que há uma mobilização e gasto de energia para desvalorizar, diminuir o valor do que é o ENEM, para assim varrer ele pra bem longe. E por que esse aue todo, tanto barulho por nada? Porque quem faz o enem hoje faz por causa do ProUni (Programa Universidade para Todos). Ahá!
Parece que tudo aquilo que o ENEM representa para o estudante pobre, toda a democratização do ensino superior que ele tornou possível, todas essas coisas valem nada, pois houve um erro na impressão de algumas provas!
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Não acho que o erro não foi nada demais, acho que a prova tinha que ser impecável. Mas não vou ficar queimando o enem assim.
Que parte da nossa sociedade se interessa e muito para que o ENEM perca a credibilidade e acabe? Quem são aqueles que não estão se aguentando de raiva de ver o filho da empregada ir estudar na mesma sala de aula com eles? Quem quer que o ensino superior seja restrito a algumas pessoas para sempre? Quem não suporta o governo que está tentando acabar com o privilégio deles?

Não faço parte dessa camada privilegiada.
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Eu fiz a prova que não apresentou erros de impressão, quero fazer faculdade no próximo ano, e se tudo der certo, conseguirei uma bolsa de estudos pelo ProUni. Isso tudo graças a minha participação no ENEM, pois a nota que eu tirar será usada como critério para adquirir esta bolsa. E graças ao governo PT. E mesmo se eu não fosse diretamente beneficiada, eu ia apoiar o ENEM do mesmo jeito. Porque, né, políticas para tornar acessível à todos o que era restrito à uma minoria? Onde é que eu assino?
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Concluindo, tá na cara que o ENEM é bom, e só está começando. O número de inscritos só tem aumentado, e as universidades que tem aceitado usar sua nota para o estudante ingressar nelas também.
Tenho várias críticas ao ensino educacional no Brasil, claro, quem não quer que as coisas melhorem e continuem melhorando? Todo mundo quer! Só que esse todo mundo não vê que o ENEM já é a mudança, já foi dado um dos passos para a melhoria da educação.
É necessário fazer uns ajustes, não jogar tudo fora!
Há vida após as impressões falhas, tenho certeza. ;)




*este tipo de apresentador, o que quer botar lenha na fogueira e paga de grande entendedor da sociedade e de cara sensível que sabe apontar os problemas da mesma, foi perfeitamente retratado no filme "Tropa de Elite 2", e ele não é um personagem legal. heehe

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Falha de São Paulo.




hahahahaha... (pausa para respirar) hahahahaha...
Ainda bem que eu não estava bebendo nada na hora que assisti o vídeo, ou teria cuspido tudinho no monitor. Muito, muito bom!!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dos preconceitos que a gente pensa que não tem.

Tô boba tô besta...
Estou sendo obrigada a ouvir aqui no trabalho vários hits do funk brasileiro, e de repente, quando meus ouvidos estavam quase caindo, e eu não tinha pra onde correr pra enterrar a cabeça debaixo da terra, tentei prestar atenção no que a letra dizia. E para minha surpresa, a letra era totalmente feminista!!
Para tudo!!!
Eu tava esperando coisas do tipo "vou fazer assim e assado com você, sua cachorra" e ao fundo gemidos femininos dus infernus, mas não! Nada de submissão, e um trecho que deixa bem claro que a menina vai sair pra se divertir com ela mesma, vai dançar, dançar, dançar!
Gente, eu já ouvi esta bendita música um milhão de vezes, e nunca tinha a escutado!
Meu preconceito com estas músicas em geral fazia com que eu ficasse surdinha da silva. Acho que é isso o que acontece com as pessoas que não veem o sexismo em que vivemos, acham natural e não prestam a menor atenção ao que está acontecendo bem debaixo do nariz.

Perlla querida, você tem o meu respeito! ;)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sobre e-mails que te puxam o pé.

Hoje meu cunhado me enviou um e-mail relatando mais um caso de violação dos direitos da mulher. Fiquei pensando o quanto é sintomático agora para várias pessoas que tem visto o meu lado feminista, fazer chegar até mim informações que tratem disto.
Achei engraçado (no sentido de curioso) pensar que alguém viu uma notícia e lembrou de mim. =)
Bom, sobre o e-mail: trata-se do caso da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, acusada de adultério e sentenciada à morte. Como o texto do e-mail me fez lembrar daquelas correntes, tipo mande esta mensagem para 1.500 amigos e receba uma bênção (isso por causa do trecho: temos 12 horas para salvar Sakineh), fui pesquisar pela net se a informação havia saído num destes jornais on-line. De fato tava lá a notícia. Pra quem quiser saber direto da fonte, o link.
Resumidamente, Sakineh foi acusada de adultério no seu país, o Irã, foi condenada à morte, como já falei, conseguiu que a decisão fosse anulada, pois o tal adultério teria ocorrido após a morte de seu marido. Lógico que isto não muda o fato de que é um absurdo, uma barbárie alguém ser condenado à morte por ter traído seu cônjuge, mas prossigamos.
Pois após essa anulação, ela é novamente acusada, agora por participação no assassinato de seu marido. Isso, se fosse verdade, mereceria sim julgamento (não obviamente com essa pena de morte lá do século retrasado, como se não tivéssemos avançado um pouquinho no tema justiça), mas é bem cômodo para as autoridades do Irã terem achado, num piscar de olhos, um motivo pra continuar com a execução.
Então, acredito que a história é exatamente essa, existe uma mulher prestes a morrer da pior forma possível por ter cometido o "crime" de praticar sexo sem estar casada.

Mulheres no mundo todo não têm completa autonomia sob seus corpos. Somos educadas para casarmos virgens, e nos entregarmos ao nosso dono, digo, marido, puras e inocentes. Temos nossos corpos medidos diariamente pelos machos da espécie, que não titubeiam em dar seu veredicto sobre nós, dizendo em alto e bom som palavras dirigidas às nossas formas físicas, dentre outras coisas totalmente desrespeitosas e invasivas do nosso espaço.
Quando temos vida sexual sem estarmos formalmente casadas, somos chamadas de vadias, putas, entre outros termos usados para nos diminuir o valor, pra nos rebaixar. Tudo isso acontece no mundo todo, mas em alguns países há leis que permitem que essas coisas sejam punidas com a morte. Sim, tudo dentro da lei deles.
Em suma, somos vistas como objetos ao andar na rua, e temos que ser sexualmente atraentes para ouvir os tais "gracejos", mas quando gostamos de ser sexualmente atraentes, e encaramos outras pessoas como sexualmente atraentes, somos punidas. Até com a morte.
Tem esse link aqui, pro site Salve a Sakineh. Lá temos a possibilidade de enviar uma mensagem aos governantes pedindo que não a executem.
Fico pensando se isso pode realmente ajuda-la, e acho muito estranho porque parece um ato pequeno demais, insignificante, mas acabei enviando uma também. Como eles pedem um nome e um e-mail, vou ficar aguardando o envio de vírus pra minha conta.

Enviei por e-mail pros meus contatos sobre isso, e me pareceu um ato igualmente insignificante. Até relacionei o texto que recebi com as mensagens-praga, especificamente da menina do poço, aquela do filme "O Chamado". Vocês já leram?
É mais ou menos assim: "você que está lendo esta mensagem, reenvie-a a todos seus contatos senão eu vou aparecer de noite para puxar o teu pé".
Só que coloquei o nome Samantha, quando o certo é Samara. Putz.
Quem sabe alguém manda uma resposta dizendo que eu errei o nome. Seria muito bom, ia ser a prova de que alguém leu o e-mail, pelo menos.

É uma droga saber que as pessoas que repassam os e-mails da Samara, que não servem pra nada, não repassam o da Sakine. Eles podem não levar ao seu salvamento, mas acho que abrem as portas pra discussão.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Pra quem ainda está na vibe.

Ontem, no feriado de finados, estava conversando com minha amiga de sonhos/pirações, sobre... Política. Claro.
E ela falou numa das pausas: "Nossa, a gente só sabe falar de política!", e demos risada. Pior que é, a gente virou uma máquina de falar de partido, candidato, etc. Ainda estamos com essa energia, e meio que dá vontade de gritar chega!, em alguns momentos.
Por isso, resolvi fazer um post mais ameno, só com alguns links pra sites interessantes que descobri nos últimos tempos. Ah, e alguns nem são sobre política, acreditem se quiser. =P

Pra quem tiver curiosidade de saber como foi a porcentagem de votos no seu município pra cada candidato:
www.estadao.com.br/especiais/mapa-da-votacao-para-presidente-nos-municipios,123626.htm
(Em Suzano foi 51,27% pro PSDB, contra 48,73% para o PT).
Uma graça de site, que divulga o trabalho de um bonequeiro chamado tio Faso (um cara que faz bonecos simplesmente apaixonantes):
Site musical da cantora Natália Mallo, dica dada pela minha irmãzinha Dani. =)
Ouçam "Banheira" e se deliciem. Ah, essa música é trilha sonora do seriado "Tudo o que é sólido pode derreter", passa na tv Cultura e é muito bom também.
Fim.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dos nossos sonhos.

Estou muito, muito feliz com a vitória da Dilma. O anúncio oficial foi um daqueles momentos marcantes o bastante para daqui a vários anos poder responder "onde você estava quando a Dilma se tornou presidenta?"
Mas, ao lado dessa felicidade, veio uma vontade de chorar, tanto por causa da emoção de toda a campanha (agressiva campanha), quanto por ver que tem muita coisa a ser feita ainda, agora desse lado, do lado comunitário, do meu lado e do bairro onde eu moro. Isso também é política, mas é a política do dia a dia, do passinho de formiga. Sim, porque eleger uma mulher presidenta é um passo histórico, mas não é porque isso aconteceu que o sexismo, misoginia e afins fizeram pluf!, sumiram num passe de mágica. Vem trabalho forte por ai.
Vontade de criar logo uma frente de mulheres, organizar reuniões, palestras, falar com elas sobre como a gente vive num sistema que tenta nos rotular em santas e putas, basicamente. E que nos separando, faz com que nossas conquistas sejam difíceis, que nosso tratamento seja diferente, que nossas vidas sejam limitadas.
Estou feliz e estou melancólica.
E fico pensando em nossos sonhos. Meus e da minha grande amiga Dai, que voamos sempre em nossas ideias, que almejamos sempre algo grande, que tiramos os pés do chão muitas vezes imaginando o futuro.
E o futuro é "
belo incerto, depende de como você vê". rsrs, TM!!
Força pra caminhada!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"SIM, MULHERES PODEM!"

Dilma, eleita 1ª PresidentA do Brasil.

Vou copiar descaradamente aqueles cartazes que os torcedores exibem nos estádios:
Eu já sabia. =)

domingo, 31 de outubro de 2010

Eleições 2010 - Eu voto Dilma 13

É hoje o dia em que elegeremos a primeira Presidenta do Brasil.
Não tem como não estar eufórica, e eu estou. Tem gente que pode achar que só ando fazendo propaganda pra Dilma porque ela é mulher. Não. Eu estou fazendo isso também por ela ser mulher.
Na primeira eleição em que o Lula ganhou (em 2002) eu havia votado nele. Na segunda vez (em 2006) eu estava decepcionada com os escândalos do governo (como muitas e muitas pessoas) e votei no Alckmin. Foi mais um voto contra o PT, e não a favor do PSDB. Tanto que esse segundo voto foi o anticlimax do primeiro. Nenhuma emoção da minha parte.
Essa decepção toda aconteceu porque as pessoas esperavam muito do governo petista, estilo 0% de corrupção. Como sabemos, não foi assim, teve corrupção, infelizmente. Mas o que eu vejo é que esses escândalos foram amplamente divulgados, diferentemente do governo anterior, em que muita coisa ficou por debaixo do pano. Não que no governo petista TODAS as roubalheiras vieram à tona, mas sim que elas vieram.

Não dá pra se inocente a ponto de achar que a política vai se desvencilhar da corrupção de uma hora pra outra, ainda mais no nosso país em que as pessoas dizem odiar política, e que lamentam o ato de ir às urnas. Corrupção não ocorre só por causa do político criminoso, mas também pela população que não se interessa pelos caminhos da política e acha que tanto faz, que pior não dá pra ficar. Se está ruim, você vai cruzar os braços e apenas criticar e xingar político de safado, bandido, etc?
Bom, é isso que eles querem, cada um na sua reclamando e não fazendo nada. Pra mudar minimamente alguma coisa, eu não tenho que me sentir fora da política, eu tenho que estar dentro. Eu sou parte de tudo isso.

Cansei de ouvir coisas do tipo: "meu voto não faz diferença". Não acredito nessa afirmação de jeito nenhum!
Tem um vídeo maravilhoso de uma monja zen budista chamada Coen, em que ela diz que quando alguma coisa ruim acontece longe de mim, eu não posso pensar "ah, não é comigo". É sempre comigo.
Eu sempre estou fazendo parte do mundo, do momento, do lugar em que estou, conectada à outras pessoas, momentos, vidas. Eu sou toda mudança necessária para melhorar aquilo que está ruim.

Dizer que o governo PT é corrupto e que não vota mais nesse partido é ser bastante superficial. É claro que eu não sou da turma do "rouba, mas faz", quero que a corrupção tenha um fim, mas ficar batendo nessa mesma tecla toda vez, e não verificar, por exemplo, os dados de quanto o país melhorou nesses últimos anos, é ser meio cabeça dura. Um bom governo pra todos e sem corrupção não vai acontecer se nós, eleitores, ficarmos afastados da política, querer que mude mas nada fazer.
Sou de esquerda, e mesmo o PT tendo sido acusado de ter diminuido seu esquerdismo, ainda fico com eles. Meu voto será um voto de confiança, e acima de tudo, um voto racional. Porque, enquanto concordo plenamente com as ideias da esquerda, coisas que por exemplo o PSOL (Partido Socialista) trouxe fortemente em seu discurso, as pessoas normalmente se desesperam e dizem "socorro, o governo vai tomar minha casa e minha poupança". Há modos e modos de se ver a coisa. Acho que a flexibilização do PT se deve a isso, muitas das ideias de esquerda são meio duras pra serem implantadas agora.
As coisas não vão tão bem quanto eu gostaria, mas não vou me furtar a esse momento significativo. Não mesmo!
Por isso, eu voto 13 neste domingo, pois eleger Dilma presidenta do Brasil é permitir que continuem governando para as camadas pobres, tirando-os desta situação, distribuindo a renda do país, dando possibilidades para que a gente ingresse numa faculdade, etc.
Voto na Dilma porque ela demonstrou estar preparada, e acho ridículo quem arrumou tempo para fazer críticas baseadas em sua aparência e sexualidade, usando motivos tão pífios como não confiar na cara dela (assim, bem racional o argumento. Confiar mesmo a gente confiou na cara de bom moço do Collor, né?), chamando-a de feia, sapatão, entre outras pérolas do mundo machista.
Ela não é o que se espera de uma mulher, delicadinha, frágil, e também não é o modelo de beleza que o olhar da sociedade aprova. Em outras palavras, não é jovem e magra. Por favor, pessoas que baseiam sua opinião desta forma, ampliem um pouquinho suas visões, ok?
Só sei que vou votar feliz da vida, e aguardar ansiosamente a apuração no final do dia. Mas não tenho dúvidas do resultado.
E pelos próximos quatro anos, vou acompanhar o mandato da nossa 1ª presidenta, porque política não tem data pra gente se interessar, tem que ser pra sempre.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Serra cafetão.

Esta é a mais nova tag de sucesso criada no twitter: #serracafetao.
Acreditem se quiser: o candidato José Serra, em seu último discurso em Uberlândia, pediu que seus eleitores conquistem mais um voto para ele. Já pras moças bonitas, ele pede que conquistem 15.
Como? O danadinho dá a dica: é só mandar e-mail pros pretendentes dizendo que quem votar 45 no domingo, tem mais chances com elas.


O que dizer desta belíssima demonstração de desrespeito, machismo e sei lá mais o que desta pessoa???


Transcrevo as palavras exatas:
“Se você é uma menina bonita, tem que conseguir 15 votos. Pegue a lista de pretendentes e mande um e-mail. Fale que quem votar em mim tem mais chance com você”, pediu o presidenciável tucano, José Serra, diante de simpatizantes em Uberlândia (MG), nesta quinta-feira (28).

Só posso dizer que agora sim ele vai passar de 39% de votos (segundo as últimas informações do IBOPE) para 35%... 33%... 30%...
Vai cair bunitu!!!
Ah, e pra quem puder, deem uma olhada pela net sobre as reações das pessoas. A fala dele foi super infeliz, mas tá engraçado demais o que o povo anda escrevendo.
Tipo, que se o Serra ganhar, vai tirar o Bolsa Família e criar o Vale Bolsinha.
Fazer o que, é rir pra não chorar, e é dando que se recebe voto pro Serra!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"...que pena, não sou o que você quer de mim..." *

Pra eu ser mulher, eu não preciso ser boazinha.
Pra ser mulher, eu não preciso ser recatada, fútil, vaidosa, fofoqueira, delicada, sensível. Não preciso achar que sempre tem algo de errado comigo, e que eu devo consertar isso custe o que custar, fazendo academia, plástica ou comprando uma roupa nova que valorize meus pontos fortes e esconda os ruins.
Eu não preciso detestar minha barriga, meu cabelo, a curva do dedinho do pé. Não preciso gostar de novela, nem de filme com final feliz com direito a casamento e vários filhos na varanda.
Não tenho que ver as outras mulheres como rivais em potencial, nem ser a dissimulada, obscura, misteriosa, emocional, cobra cascavel, jararaca...
Não tenho que ser dependente de ninguém.
Eu não preciso, de forma alguma, achar que eu tenho que ser "difícil" nos relacionamentos amorosos, usando, ou melhor, deixando de usar meu sexo como uma prova de pureza e valorização do que sou. Não preciso tachar ou ser tachada de fácil, certinha, vaca, pra casar ou pra ficar por ser, ou não ser, um ser sexualizado. E, muito menos, ter a ideia de que homens comem, mulheres são comidas.
Eu não sou puta, eu não sou santa.
Mas, se por acaso, eu for uma dessas coisas, ou várias dessas coisas, isso não me define como mulher.
Não sou uma personagem caricata.
Eu sou real, e vivo cada dia tentando descobrir o que é, afinal, ser mulher.
E isso nada tem haver com o que a sociedade espera de mim.
.
Este post é mais um lembrente pra mim mesma parar de me preocupar e agir exatamente assim.
É difícil estar imersa num mundo que me ensina a pensar dessa forma sobre mim e sobre as outras mulheres. Todas nós somos treinadas. Dizem que são coisas naturais, biológicas, mas, na verdade, são coisas culturais. Variam um pouco de lugar pra lugar, e de tempos em tempos, as regras mudam. A regra que não muda é: não temos como ganhar essa batalha! Nunca se está bonita, magra, jovem o suficiente.
Não há problemas em querer ser bonita e gostar disso, ou assistir novela e se intitular manteiga derretida. O chato é quando isso começa a ser cobrado, esperado, e tudo que for diferente disso considerado anormal. E pior, quando parece que só o que há pra se preocupar no mundo é isso. É limitador.
Gosto de pensar que somos bem mais que isso, e podemos quebrar esses pensamentos do que é ser mulher e do que não é ser, falando (e muito) a respeito, questionando, escrevendo um blog...
É possível.

Deve ter um monte de erros neste post. Sorry. Depois eu reviso.


* o título se refere à uma música que gosto muito, da Karina Buhr, "Eu menti pra você".

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Dia Lilás.

Hoje é o Dia Lilás, uma data para se comemorar e avaliar a participação das mulheres nestas eleições. Creio que, principalmente, a participação na campanha presidencial.
Independentemente de nossas posições partidárias, acho que devemos aplaudir o fato de que tivemos duas mulheres no 1º turno disputando o cargo para presidenta, e ambas foram muito bem votadas. Eu nunca tinha visto isso acontecer.
Mesmo assim, ainda temos pouca representação em cargos políticos, por vários motivos, como por exemplo, não somos levadas tão a sério ainda para nos candidatarmos (sim, os partidos claramente dão preferência ao sexo masculino) e nós não falamos tanto sobre o assunto para saber se gostamos de política ou não. Tem muita gente (homens e mulheres) que não se aprofundam no tema e já dizem que dele não gostam. O que ocorre é que esse comportamento é esperado nas mulheres, claro, se tem a ideia que temos assuntos mais importantes a tratar, como lavar roupa e fazer a janta.
Então fica aquela coisa, acham que não somos tantas no congresso porque não nos interessamos por política, quando na verdade, não estamos lá porque não conhecemos sobre.
Temos que quebrar esse tabu, as coisas melhoraram, mas ainda falta muito para que nossa representatividade seja equiparada a dos homens.

E sim, eu tô a-man-do política!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

15 de Novembro.

Esta é a data do primeiro Sarau Feminista que vamos fazer. (Este vamos inclui: Elisa, Daiane e eu, Cia Porta-Treco)
Pois bem, há um sem fim de coisas para tirar do papel, e das nossas cabeças, isto é algo que sempre falamos: na minha cabeça, tá lindo! rsrs.
Acredito tanto nessas ideias loucas da gente, loucas e absolutamente possíveis. A gente tem essa vontade de fazer a diferença, de mudar o mundo, estes clichês todos, eu sei, mas é isso que faz valer a pena. É isso que eu vejo que funciona pra mim, isso que torna possível fazer as outras coisas, aquelas que são pura obrigação para sobreviver no mundo atual.
Como, por exemplo, suportar um trabalho formal, que paga pouco, que te limita, que faz você olhar para fora, pela janela, no meio da tarde, e ter vontade de sair correndo porque você vê que aquilo é uma perda de tempo enoooorme.
E não perda de tempo no sentido de "eu adoraria estar pegando um cineminha agora", ou "queria estar dormindo", é um tempo preenchido por coisas sem sentido direto pra mim.
Enquanto eu podia estar discutindo ou aprendendo políticas para o feminismo, ou formas de abordar o tema no sarau, ou lendo o ótimo livro que minha amiga Dai me emprestou, estou enchendo o bolso do meu patrão e continuando... Burra!
É essa a sensação que eu tenho, e, sério, fico com vontade de sair correndo mesmo, chispando. Sinto nesses momentos que o mundo tá acontecendo lá fora, e eu quero tomar parte dele.
Eu sei que estou sendo paga pra isso, e que eu preciso deste dinheiro para continuar bancando meu aprendizado sobre essas coisas todas, mas, minha nossa, é um saco! E eu tenho percebido que, quanto mais leio e aprendo sobre todos esses problemas (desigualdade de gênero, social, racial...), mais, como dizer, impaciente com essa situação eu fico. Porque eu vejo que tá errado, caramba, e enquanto está errado, eu estou lá, carimbando papéis!
Então, no final das contas, sinto que todo esse trabalho monótono é pra eu não ter tempo de pensar nessas coisas, e ser uma funcionária pacata, que faz o seu e não reclama.
Tipo, um zumbi.
.
Mas... Retornando ao comecinho deste post/desabafo, dia 15 de novembro, Sarau Feminista.
Vamulá! Estamos cada vez mais impacientes para começar.

sábado, 23 de outubro de 2010

Das nossas opções.

Muito frustrante ver que toda nossa vida, nós mulheres, somos treinadas para sermos esposas e mães. Maternidade e casamento são possibilidades, claro, mas não as únicas existentes. Podemos ser tantas coisas quanto quisermos, mas tem todo um treinamento/condicionamento para que a gente se case e tenha filhos. Brinquedos que apresentam às meninas os afazeres domésticos e da maternidade (mini cozinhas na cor rosa; jogo de panelinhas rosa; vassourinhas; ferrinhos de passar, adivinhe... rosa!; bonequinhas que choram/fazem xixi/falam (isso me dá pânico! é quase um bebê cyborg); ah, enfim, tudo que rege o mundo destes afazeres, tudo rosa, que lógico, é a cor das meninas. ¬¬


Trabalhar? Estudar? Isso pode até ser (embora seja muito mais comum as mulheres abandonarem seus empregos ou não seguirem progredindo nos estudos para se dedicarem exclusivamente aos cuidados dos filhos, ou seja, nós até ingressamos neste mundo, mas saímos muito mais rapidamente do que os homens). O que a sociedade espera mesmo de mim, é que eu procrie. Tem até idade "certa" pra isso, chega um ponto que as pessoas esperam que você esteja casada/noiva ou, ao menos, namorando sério. Dá tristeza de ver que a grande maioria das mulheres tem como maior sonho/meta se casar. E, quanto mais pobre, mais enraizada essa ideia é. É a famosa fuga de uma situação não muito boa; pessoas pobres que vivem já uma vida de privações, de dificuldades, querem mais é sair de casa, etc, tomar pra si uma independência, ter uma vida melhor, e aparentemente, a via mais rápida é o casório. Esta é a meta mais estimulada, e isso tudo cria uma dependência enorme, financeira e emocional, e uma baixa autoestima, quando é alcançada de forma mecânica. Enfim, há essa lacuna na vida de muitas meninas, em relação ao "o que eu vou ser quando crescer". Não vejo propagado temas como: que empregos eu posso ter, que lugares e idiomas posso conhecer, em qual área vou me especializar... Não. Tudo se resume a quantos filhos quero ter, quais serão os nomes, e, aqui onde eu moro, com qual rapaz vou me casar, o da rua de baixo ou o da rua de cima? Todas essa escolhas são realizadas dentro de um mundo limitado, um mundo conhecido desde o nascimento, o bairro em que se nasce e cresce, entre vizinhos que são os amigos de infância...
E onde essa situação acaba descambando, mais tarde? Todo o quadro que vejo, desrespeitos sem fim cometidos contra mulheres em casamentos infelizes, agressões verbais e físicas, tudo isso protegido pelo manto do lar, e pela ideia de propriedade que maridos exercem sobre suas esposas.
Tenho visto isso e uma aparente falta de força por parte das mulheres, omissão e acomodação, e tudo porque não foram estimuladas a serem independentes e fortes, e sim, a serem frágeis e submissas.


Direito às escolhas, às possibilidades, aos sonhos, que são tantos, tantos, tantos... Mas que, simplesmente, não são apresentados para nós. Quanto mais casos destes eu vejo, e por ter sido criada numa família machista/patriarcalista (ou seja, vivi muitas coisas também), mais eu sinto a necessidade de todas as mulheres se juntarem e se ajudarem. Já que a sociedade nos impôs o trabalho de educar @s filh@s, então, que seja!! Façamos isso. Vamos educar estas crianças (não só noss@s filh@s, mas também sobrinh@s, prim@s, vizinh@s, tod@s), com a visão de equilíbrio dos gêneros do feminismo! Está nas nossas mãos uma poderosa ferramenta, somos educadoras!

Todas as coisas são possibilidades para nós.
Ser mãe, ser médica, ser atriz, ser policial, professora, executiva, dançarina...
Ser PRESIDENTA. ;)
E, junto a qualquer uma dessas opções, ser feliz pra caramba!

sábado, 16 de outubro de 2010

Jagged little pill.

Pois bem, após um período de inatividade, parece que este blog vai seguir mesmo. Anteontem veio a notícia que, espero, seja incentivadora pra que esses registros não parem mais. Depois que vi que eu era feminista (sim, pois eu nem sempre tive essa consciência), não teve mais volta. Tudo o que vejo, eu vejo com os óculos do feminismo, não há um botão que possa ser desligado/ligado depois que você toma a "pilulazinha". Por isso o feminismo é uma filosofia de vida, de igualdade entre os gêneros, e você passa a querer essa igualdade todo tempo, e questionar tudo e todos com essa visão.
Só que está na hora de dar um passo além.
Sobre a notícia que recebi: o grupo de teatro do qual faço parte foi convidado pelo coordenador do Centro Cultural de Palmeiras para participar de uma exposição sobre o grupo, portanto, teremos a liberdade de mostrar o que já fizemos e o que acreditamos. Será uma ótima oportunidade pra tirar do papel muitas ideias, e uma delas, é um projeto sobre o feminismo.
A coisa toda está só engatinhando, teremos algumas reuniões para discutir como fazer essa abordagem. Estou animada e ansiosa, porque este tema é muito delicado (aborda simplesmente todos os nossos traços culturais e sociais) o que leva as pessoas a se exaltarem, a favor ou contra.
Vou manter o blog principalmente por causa deste projeto, pois do que adianta ler e me informar sobre o assunto, me revoltar, sensibilizar e aprender caminhos para lutar contra o machismo, e não passar isso adiante?
Precisamos falar sobre, e vai ser um trabalho de formiguinha, sei disso. O primeiro passo já foi dado, a pilulazinha (ela de novo!) foi experimentada. E de fato, como na música, que bem que ela faz!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Todo dia é dia.

Tava vendo o panfleto que eu fiz para o Dia Internacional da Mulher deste ano:

"8 de março

Dia Internacional da Mulher

Vamos além da rosa e do "parabéns pelo seu dia, mulheres".

Vamos PENSAR no porquê deste dia.

Ontem, dia 07 de março, pela 1ª vez em 82 anos de Oscar, uma mulher levou o prêmio de melhor direção pelo seu filme. E há muitas coisas ainda para serem feitas pela 1ª vez por uma mulher.

Feminismo é o movimento social que defende igualdade de direitos e status entre homens e mulheres.

Isto é, não é nem nunca foi um movimento para mulheres tomarem para si a supremacia.

Alguém aí acha justo um sexo ser SUPERIOR a outro?

Equanimidade, equilíbrio. Quem não quer?

Machismo é a crença de que os homens são superiores às mulheres.

O contrário de MACHISMO é FEMISMO.

Femismo é a crença de que as mulheres são superiores aos homens.

Queremos EQUILÍBRIO entre os gêneros. Nem um nem outro sendo o SEXO SUBMISSO.

* * *
Esse assunto não se esgota nunca, há muito o que pensar e outro tanto para ser feito. À partir deste dia, não apenas neste dia, PENSE CRITICAMENTE sobre o assunto.
Convidamos* você a ir além da ROSA e do PARABÉNS".

*Cia de Teatro Porta-Treco



Bom, este é o "esquenta" pra um projeto muito legal que estou elaborando com minha grande amiga Daiane, uma idealizadora da cia Porta-Treco, atriz e irmã de coração.
De quebra, ainda explico o nome deste blog, e coloco acima de tudo a ideia de que todo dia é dia pra gente falar sobre o feminismo.
E entrar pro grupo também. ;)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Isso tudo é comum.

Fiquei muito feliz ao ver num outro blog (um grande blog, que foi o meu estalo, o que me serviu de norte pra ver o quanto a sociedade é machista) que há muitas mulheres que passaram por coisas que eu passei.
Demoraram, em alguns casos, para nomearem o que estavam sentindo de feminismo. Demoraram até para conhecer o termo.
Assim, do jeitinho que aconteceu comigo!
.
Tudo isso é cultural demais, e a gente tem que discutir mais esse ponto, o que é cultural não é natural. É apenas cômodo pra alguém, um grupo, etc.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Debate.

Amei o que a Dilma disse no debate da Band, no último domingo:
"Entre prender e atender as mulheres que fazem aborto, eu prefiro atender".
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Ufa! Ainda bem que saiu daquele simples sou-contra-o-aborto.
Ninguém é a favor do aborto, ninguém quer que alguém precise fazer um, mas quem precisa, tem que receber total respaldo do governo para tal. Tipo, as milhares de mulheres pobres, marginalizadas por serem mulheres, por serem pobres, e a grande maioria, por ser negra.
São essas que morrem por realizar abortos clandestinos, sem higiene, sem preparo algum.
Elas são criminosas? Para mim, nem um pouco.
Mas pra muitos, caso sobrevivam ao aborto, deveriam ser presas.
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Ah, e pra quem achou a Dilma raivosa: ela foi enérgica até o talo! Amei também!
Homem, se fala como ela falou, está sendo incisivo, firme. Já se é uma mulher que faz o mesmo, ela está nervosa, histérica, etc. Tudo isso porque o que se espera das mulheres é que sejam doces, meigas e delicadas. Enfim, submissas.
Que preguiça dessa ideia, não?

sábado, 9 de outubro de 2010

Pela descriminalização.

Este é um blog feminista, eu sou feminista, então, é lógico que estou do lado dos pró-escolha.
E tem agora, na campanha política, esse lance da descriminalização do aborto. Ou de continuar criminalizando.
E as pessoas fazem sua escolha pelo time: pró-vida X pró-aborto.
Pelamor...
Quem quer um aborto?
E então, parece tão óbvio: você ama a vida, você quer a vida. Fica nesse nível.
Você toma o seu lado diante de vida/morte. E impõe essa sua decisão pra todas as outras pessoas. Opa, pessoas não, mulheres, porque desde sempre homens abortam. Se não querem ter o filho, eles somem. Pronto, abortou. Parece diferente? Parece nada a ver? Não é.
Se fossem os homens que engravidassem, o aborto nunca seria um crime.
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Mas então... Eu não sou petista. Não abracei o partido, porque eu não conheço tanto quanto deveria o PT, e nem política em geral, na verdade. Mas, votarei na Dilma. E tô com um medinho dela não ganhar.
Porque, se não ganhar, será totalmente por essa discussão do aborto. A religião interferindo no estado, coisa e tal.
Se pelo menos o nível da discussão sobre se ampliasse. Mas esta discussão nem começou aqui no Brasil. E agora nem dá tempo pra isso. Pô, o estado é laico! Ou, pelo menos, deveria ser.


Se ela perder, que seja por qualquer outro motivo, caramba!

terça-feira, 6 de abril de 2010

A parte cômica de cada dia.

Então que eu passei a notar o machismo. A falar sobre feminismo, e a desejá-lo.
E tem as outras minorias, né? Não exatamente em números, mas são aqueles grupos que tem uma voz menor, uma liberdade menor, possibilidades e autorizações para viver menores.
Tem pessoas negras, tem pessoas homossexuais. (E um mooonte de outras, as pobres, as que tem especificações motoras e intelectuais, várias outras).

Queria falar um pouco de homossexualidade. (Da parte "cômica")
Eu ouço umas trocentas vezes por dia piadas que se baseiam na sexualidade das pessoas. Homem com homem, mulher com mulher. O mundo inteiro ouve, né? Mas vai trabalhar num ambiente com maioria absoluta de homens. Tipos, uma mulher (eu) e o resto homi.
Você verá.
Claro que, sempre foi assim. Mas só agora o estalo. O tapão na nuca.
**Acorda, menina**

O que tem de tão engraçado no homossexualismo?
Sério, eu quero entender. Eu quero RIR.
Eu não vejo a comicidade. E as piadas são repetidas tanto, tanto, taaaannntoooo...
Que eu sinto vontade de vomitar. É sério isso também.
Hoje mesmo eu me tremi toda. Tava demais. Ou tava como sempre está, e eu é que estava alerta.

Então, eu fico nessa, vendo isso. Que tem gente que ri de escancarar a boca, de deformar o rosto, quando paira a possível cena de atração homem-homem/mulher-mulher.
Um homem transando com outro homem. Uma mulher transando com outra mulher.
E não só isso.
Um homem amando outro homem.
Uma mulher amando outra mulher.
Homossexualidade. Homoafetividade.

Igualzim heterossexual. E totalmente diferente, pr'algumas cabeças.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Eu faço seu prato, benhê.

Taí uma coisa típica.
Todos sentandos à mesa, o pai na cabeceira, os filhos se servindo, a mãe servindo o pai.

Vi muuuito disto, em almoços de domingo e no jantar dos dias de semana. Eu sempre estranhei tanto esse negócio, mas eu sequer juntava o 2 + 2.
Já havia até esquecido deste passado comidal (ui), quando, dia desses, um colégo de trabalho disse que a esposa sempre "faz" o seu prato (e o dos filhos).

Fiquei meio passada com isso na hora, aí lembrei que em casa era igual. Só não garanto que o papis ficaria com fome se mamis não o servisse. Segundo o colégo, ele faz a comida, mas fica sem comer se a mulher não estiver em casa. (há há)

"Amor, eu cozinhei toda a comida, veja, veja, as panelas estão cheias. Mas você não estava aqui para pô-la no prato... Dormi com fome!" (grunnn... grunnnchhh ***barulho da barriga***)

Sabe como é, a comida não tem o mesmo sabor.

quinta-feira, 25 de março de 2010

As reclamonas. (parece nome de dupla de música brega)

Apenas pra não esquecer, umas poucas coisinhas que estive pensando.

Estamos (eu, minha irmã, minhas amigas) vivendo uma mesma linha de acontecimentos, o que eu até chamei de epidemia de submissão/(que leva à) revolta. Claro que isso não é de hoje, nem de ontem, as coisas não andam bem desde... Desde quando mesmo? Enfim, o que é certo é que, ao meu ver, estamos funcionando com o radar ajustado igual.

Quantas mulheres conhecemos que estão insatisfeitas com a realidade que vivem? Peraí que eu não tenho calculadora à mão.

Acho que a gente sempre notou essas coisas, mas nem sempre notamos o poder para mudá-las. E isso entra noutra questão, tão logo percebemos a possibilidade de mudança, somos chamadas de reclamonas.

Queremos passar por coitadinhas. Já me disseram isso.

E eu não vejo como essa afirmação poderia ser mais contrária à realidade.

Deixe-mos claro: não somos coitadinhas, não estamos com o rabo entre as pernas, olhar baixo, estendendo o prato de ração.

Somos chacais, amigo. Sede de sangue, sacumé?

E tenho dito! Humpf!


(É só algo que estava entalado. Não sou uma chacal. Eu sou uma princesa, claro).

quarta-feira, 24 de março de 2010

Das construções sociais.

O que são características femininas/masculinas?
Faça uma lista daquilo que é inerente a cada gênero, o que faz de uma mulher uma mulher e o que faz de um homem um homem.

Pronto?
Agora, queime.

Comece do zero, imaginando que nada do que é usualmente tido como feminino/masculino (rosa/azul) é regra.
Tente imaginar, sei lá, bem loucamente, que tudo isso é uma construção social.
Um modo de manter a gente nos trilhos.

E vá além, pire total logo de uma vez. Imagine que meninas não nascem amando rosa e boneca, e que meninos não nascem amando azul e carrinho.

E claro, isso tudo embasado num pensamento sem base, louco, pinel, sem um pingo de nexo...

Mas imagine por um momento.

terça-feira, 23 de março de 2010

Do que torna possível.

Tenho tido conversas muito proveitosas com minha irmã e minha amiga.

Numa dessas, com a minha irmã, falando sobre feminismo / machismo, ela disse uma coisa que pretendo carregar agora também comigo.
Dizia que num documentário na tv, foi mostrada uma cena em que uma menina (por volta de quatorze anos) estirada no chão, era punida (não sei o "crime", ter nascido mulher?) por açoitamento, num país de religião muçulmana. A mãe desta menina segurava seus braços firmemente, pra que ela não saísse da posição; o homem que a açoitava mantinha o semblante impassível; e havia uma platéia ao fundo, assistindo. Impassíveis.
A menina tinha a face voltada pra baixo, sem rosto.

É daquelas coisas que criam amargor na gente. Minha irmã sentiu-se assim. Eu não vi a cena, e me senti assim. Mas, daí vem esse outro sentimento que quero levar.
"Pra mim, aquilo não era real. É tão despropositado, que É irreal. Tem que ser. A única forma possível de de continuar, é crer: aquilo não é real. Isso não aconteceu. São atores. É, isso, atores. Isso não aconteceu, e nem acontecerá futuramente. Só assim dá pra continuar".
Eu achei isso tão válido. Quer dizer, cadê a força pra continuar depois de uma cena assim, né?

Seguir lúcida. A gente tem que encontrar meios.

quarta-feira, 17 de março de 2010

=P

Esta noite sonhei que discutia com uma vizinha minha a diferença entre feminino e masculino.


Caramba, isso está ficando fora de controle.

terça-feira, 16 de março de 2010

.

Este blog tem como objetivo registrar tudo o que suas autoras julgarem importantes para tanto.

Isso é absolutamente pessoal, e, ao mesmo tempo, comum à um sem fim de mulheres ao nosso redor.