quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sobre e-mails que te puxam o pé.

Hoje meu cunhado me enviou um e-mail relatando mais um caso de violação dos direitos da mulher. Fiquei pensando o quanto é sintomático agora para várias pessoas que tem visto o meu lado feminista, fazer chegar até mim informações que tratem disto.
Achei engraçado (no sentido de curioso) pensar que alguém viu uma notícia e lembrou de mim. =)
Bom, sobre o e-mail: trata-se do caso da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani, acusada de adultério e sentenciada à morte. Como o texto do e-mail me fez lembrar daquelas correntes, tipo mande esta mensagem para 1.500 amigos e receba uma bênção (isso por causa do trecho: temos 12 horas para salvar Sakineh), fui pesquisar pela net se a informação havia saído num destes jornais on-line. De fato tava lá a notícia. Pra quem quiser saber direto da fonte, o link.
Resumidamente, Sakineh foi acusada de adultério no seu país, o Irã, foi condenada à morte, como já falei, conseguiu que a decisão fosse anulada, pois o tal adultério teria ocorrido após a morte de seu marido. Lógico que isto não muda o fato de que é um absurdo, uma barbárie alguém ser condenado à morte por ter traído seu cônjuge, mas prossigamos.
Pois após essa anulação, ela é novamente acusada, agora por participação no assassinato de seu marido. Isso, se fosse verdade, mereceria sim julgamento (não obviamente com essa pena de morte lá do século retrasado, como se não tivéssemos avançado um pouquinho no tema justiça), mas é bem cômodo para as autoridades do Irã terem achado, num piscar de olhos, um motivo pra continuar com a execução.
Então, acredito que a história é exatamente essa, existe uma mulher prestes a morrer da pior forma possível por ter cometido o "crime" de praticar sexo sem estar casada.

Mulheres no mundo todo não têm completa autonomia sob seus corpos. Somos educadas para casarmos virgens, e nos entregarmos ao nosso dono, digo, marido, puras e inocentes. Temos nossos corpos medidos diariamente pelos machos da espécie, que não titubeiam em dar seu veredicto sobre nós, dizendo em alto e bom som palavras dirigidas às nossas formas físicas, dentre outras coisas totalmente desrespeitosas e invasivas do nosso espaço.
Quando temos vida sexual sem estarmos formalmente casadas, somos chamadas de vadias, putas, entre outros termos usados para nos diminuir o valor, pra nos rebaixar. Tudo isso acontece no mundo todo, mas em alguns países há leis que permitem que essas coisas sejam punidas com a morte. Sim, tudo dentro da lei deles.
Em suma, somos vistas como objetos ao andar na rua, e temos que ser sexualmente atraentes para ouvir os tais "gracejos", mas quando gostamos de ser sexualmente atraentes, e encaramos outras pessoas como sexualmente atraentes, somos punidas. Até com a morte.
Tem esse link aqui, pro site Salve a Sakineh. Lá temos a possibilidade de enviar uma mensagem aos governantes pedindo que não a executem.
Fico pensando se isso pode realmente ajuda-la, e acho muito estranho porque parece um ato pequeno demais, insignificante, mas acabei enviando uma também. Como eles pedem um nome e um e-mail, vou ficar aguardando o envio de vírus pra minha conta.

Enviei por e-mail pros meus contatos sobre isso, e me pareceu um ato igualmente insignificante. Até relacionei o texto que recebi com as mensagens-praga, especificamente da menina do poço, aquela do filme "O Chamado". Vocês já leram?
É mais ou menos assim: "você que está lendo esta mensagem, reenvie-a a todos seus contatos senão eu vou aparecer de noite para puxar o teu pé".
Só que coloquei o nome Samantha, quando o certo é Samara. Putz.
Quem sabe alguém manda uma resposta dizendo que eu errei o nome. Seria muito bom, ia ser a prova de que alguém leu o e-mail, pelo menos.

É uma droga saber que as pessoas que repassam os e-mails da Samara, que não servem pra nada, não repassam o da Sakine. Eles podem não levar ao seu salvamento, mas acho que abrem as portas pra discussão.

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